Se perdeu um filho há pouco tempo, talvez sinta que o mundo continua a girar, enquanto o seu parou naquele instante.
Talvez lhe digam para ser forte, para seguir em frente, para acreditar que o tempo ajuda. Mas quem perdeu um filho sabe que o tempo não apaga a ausência. Apenas nos ensina, lentamente, a caminhar ao lado dela.
Hoje não lhe quero pedir que seja forte.
Quero apenas dizer-lhe que pode chorar. Que pode sentir saudades. Que pode falar do seu filho as vezes que precisar. O amor que sente por ele não terminou. O amor não morre. Apenas aprende uma nova forma de existir.
Eu também percorro este caminho. Também conheço o silêncio de uma casa que nunca mais voltou a ser a mesma. Também conheço as perguntas sem resposta, as noites intermináveis e o peso de acordar para uma realidade que nunca escolhemos viver.
Foi dessa dor que nasceram os meus livros. “O meu filho tem asas” e “O Tempo é fodido não te distraias”.
Não para ensinar ninguém a fazer o luto, porque cada coração tem o seu tempo, mas para caminhar ao lado de quem, por momentos, acredita que já não consegue dar mais um passo.
Se estas palavras chegarem a uma mãe ou a um pai que hoje sente o coração despedaçado, quero apenas deixar um abraço.
Não está sozinho.
O seu filho continuará a viver em cada memória, em cada gesto de amor e em tudo aquilo que fez de si a pessoa que é hoje.
Respire um dia de cada vez.
E, quando sentir que já não consegue caminhar, lembre-se de que, por vezes, a maior coragem não está em dar grandes passos… mas simplesmente em conseguir levantar-se mais uma vez.
Com todo o meu carinho,
A mãe do meu filho tem asas. 🪽💙
Rute Reis Figuinha
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