Há quem pense que a esperança é o contrário da dor. Não é. A esperança não apaga a ausência, não faz regressar quem partiu nem fecha as feridas que a vida abriu. A esperança é, muitas vezes, apenas a coragem de acordar mais um dia e continuar.
Aprendi que o luto não termina. Transforma-se. Há dias em que pesa como uma montanha e outros em que se senta ao nosso lado em silêncio. Em todos eles, a saudade continua presente. Mas também descobri que o amor permanece. E talvez seja esse amor que alimenta a esperança.
A esperança não vive na ideia de esquecer. Vive na certeza de que a pessoa que amámos continua a fazer parte de quem somos. Cada gesto de bondade, cada abraço oferecido, cada palavra escrita com verdade pode ser uma forma de prolongar esse amor no mundo.
A dor ensina-nos que a vida é frágil. A esperança recorda-nos que, apesar dessa fragilidade, ainda vale a pena viver intensamente. Não porque deixámos de sofrer, mas porque compreendemos que o amor é maior do que a ausência.
Talvez a verdadeira esperança seja esta: aceitar que haverá sempre uma cadeira vazia, um nome que faz estremecer o coração e uma saudade impossível de medir. Ainda assim, escolher viver de forma a honrar quem partiu.
Porque há perdas que nos mudam para sempre. Mas também há um amor que nunca morre. E, enquanto esse amor existir, haverá sempre um lugar onde a esperança pode nascer.
💙
Rute Reis Figuinha
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