Nunca acreditei que a minha dor fosse maior do que a de qualquer outra mãe que perdeu um filho. A dor não se mede. Não se compara. Não há medalhas para quem sofre mais.

O que talvez me diferencie é a escolha que fiz.

Em vez de esconder a minha dor, dei-lhe voz. Em vez de fugir da saudade, sentei-me ao lado dela. Escrevi livros, partilhei lágrimas, abracei outras mães e pais que caminhavam no mesmo deserto. Descobri que, quando dividimos a dor, ela deixa de ser um lugar de solidão.

O Pedro continua a ser o meu filho. Não no passado. No presente. Continua a inspirar as minhas palavras, as minhas decisões e a forma como olho para quem sofre.

Não escrevo porque ultrapassei o luto. Escrevo porque aprendi que o amor pode continuar a fazer o bem, mesmo depois da morte.

Se há algo que me distingue, não é a capacidade de suportar a perda. É a vontade de transformar essa perda numa ponte para quem acredita que nunca mais conseguirá respirar.

A morte mudou a minha vida para sempre.

Mas o amor ensinou-me que, mesmo de coração partido, ainda podemos ser abrigo para alguém.

E talvez seja esse o verdadeiro legado do Pedro.

💙 

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