Amor, Luto, Morte, Pais, Pedro, Saudade, Tristeza

Vens ou ficas?

Corre!

Corre muito mas não fiques parada, escondida no meio da multidão esperando que te vejam aí encolhida sem força para levantares a tua cabeça e seguir uma vida que projectaste para ti.

Corre e não te esqueças que a vida são dois dias, em que hoje tudo tens e amanhã já tudo perdeste!

Não te esqueças de ti e do que representas para os que te amam de verdade e esperam grandes feitos da tua pessoa.

Não tenhas medo de os desiludir porque tu és tu mesma e não a cópia de alguém que julga que irás sempre responder com a verdade nua e crua de que podes também errar.

A vida é composta por escolhas, isso não é novidade nenhuma para nós, umas mais acertadas do que outras, mas não deixam de ser escolhas em que tu acreditas que não irás errar. Sim! Tu acreditas que vais conseguir!

Não! Deixa de lado esse pensamento que teima em te confundir! Só o teu coração sente na verdade o que tu mesma não quer ouvir e sentir.

És uma mulher! És um homem! Na verdade o género pouco importa quando nos toca o momento da incerteza e da confusão, em que nos faz largar tudo o que temos na frente e fugir para o meio da multidão. Onde a escuridão, mais uma vez nos cerca e acreditamos que ninguém nos vê.

Mas estamos tão enganados! Muito enganados.

Somos visíveis de luz apagada ou no meio de um turbilhão de dor. A verdade é que os demais andam tão imensamente ocupados que fingem não nos ver para não terem a maldita da obrigação de nos perguntar se estamos bem. E queres saber porquê? Porque se estão a lixar para nós! Não querem saber de verdade! Querem somente não ser apontados para a frieza de nos verem inertes e de nada fazeres para nos ajudarem.

É assim que muitos nos vêem. Como espectros no meio da multidão!

Mas desculpem a minha frontalidade, quando vos digo que não são eles que nos vêem, mas sim somente nós que temos o poder de os deixar ver! E sabem porquê?

Porque nos sentimos como espectros, moribundos morrendo aos poucos numa sociedade que não está preparada para nada que não seja completo ou feliz, À imagem da perfeição.

Uma mãe que perdeu um filho ou um pai que perdeu uma filha deixa de ser perfeito aos olhos da sociedade, somos meramente, coitados.

Tu não te sentes mais perfeita e por isso deixaste de reagir!

Não o faças! Não te permitas a esse desleixo que a dor causada pela morte do teu filho ou da tua filha te obriga a seguir.

Tu não és obrigada a nada nesta vida! Se queres ser livre! Tens esse poder dentro de ti.

Sim eu sei, tu tens medo! Eu também tenho medo, tens sonhos desfeitos, amarguras à flor da pele, mas tens igualmente o amor em cada partícula do teu corpo, que te lembra a cada instante de que o teu filho não está mais aqui para tu o abraçares, para o poderes beijar e ouvir da sua voz, um amo-te mãe ou um amo-te pai.

Mas acorda!

Acorda por favor!

Agarra na força que outrora tiveste quando ensinaste ao teu filho ou à tua filha de que a vida era bela em toda a sua essência e que valia cada preço para a viveres em pleno.

Então pergunto-te eu!

Onde estão as palavras que proferiste um dia ao teu filho? Porque teimas em não as proferires mais? Falta-te a força? Não caminhas sozinha! Não caminhas sozinho!

Já te disse muitas vezes de que eu estou contigo nesta longa e dura caminhada, porque eu sei o que é perder um filho, sei o que custa, sei o quanto as nossas lágrimas se derramam no calor da nossa cama, onde o gelo da noite permanece inalterado, porque o nosso corpo teima em reagir.

Mas tu vais conseguir!

Não o consegues agora! Mas eu ajudo-te! Dá tempo!

Caminha da tua forma, passo a passo, com uma injecção de energia hoje, mais um pouco amanhã, no outro dia não queres nada, não o faças. Segue somente o que te vai na alma.

Os nossos filhos são a luz que comandam as nossa vidas, neste momento e como luz que são fundem-se uns nos outros como pequenas partículas, assim como nós, mãe e pais defilhados.

Mas a nossa união não tem que ser somente no sofrimento, pode ser igualmente no caminho da aceitação e num amor pleno.

É o amor quem controla o ser humano! É esse o meu propósito de vida! É nisso que eu acredito! E é por isso que eu te estendo a minha mão!

Vens ou ficas?

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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