Luto Sociedade

Vamos lá porra nenhuma!

Vamos lá a arranjar forças!

Perdi um filho, mas não interessa para nada, porque na verdade tenho de continuar a viver.
Perdi um filho, mas na verdade ninguem quer saber, porque afinal, o filho é meu.
Perdi um filho, mas não importa porque tenho de deixar de lado a dor e agonia que me cerca durante o dia porque os demais são delicados.
Perdi um filho, mas que interessa, não é nada consigo, é só comigo, então eu que me debata.
Vamos lá arranjar forças!
Que frase tão idiota!
Ou não fosse o que a toda a hora uma mãe tenta fazer durante todos os milésimos de segundos da sua triste vida.

Vamos lá a arranjar forças, como se tivéssemos que carregar uma botija de gaz, ou uma saca de batatas da rua até casa.

Se há coisa que não é preciso dizer a uma mãe defilhada, é o de ter que ter força para viver o resto da sua vida até chegar o dia de morrer.

Porque mesmo derrotada perante o cenário do enterro do seu filho, esta mãe arranja as forças necessárias para voltar as costas e regressar à sua casa que um dia já foi um lar feliz.

Vamos lá?
Vamos porra nenhuma!
A força ganha-se com a vida, ou então todos nasceriamos super herois sem forças a medir.

Vamos lá a arranjar forças, dizem vocês…
Quando na verdade uma mãe defilhada só gostaria de ouvir, um…
“Estou aqui para si”.

– Rute Reis Figuinha –

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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