Luto, Morte, Pais, Pedro, Saudade, Tristeza

Uma última validação para o IRS de 2019 e assim termina um ano fiscal como terminou a tua vida.

Todos os dias sou colocada à prova com lembranças ou acções que são imperativas serem feitas e não tenho como fugir delas, pelo menos não neste primeiro ano de ausência física do meu filho Pedro.

Hoje foi só mais uma.

Desmanchei-me a chorar quando fui validar as facturas em nome do Pedro no site das Finanças, e a realidade abateu-se sobre mim, quando vi que a sua ultima compra foi de 50 cêntimos na escola Secundária Damião de Goês no dia 24 de Maio e que a partir dali não constam mais nenhuns dados para validar.

Dei-me conta que este IRS foi o último em que eu terei que validar o meu filho Pedro como meu dependente.

Mais um abanão para uma realidade nua e crua de que ele me morreu!

Morreste-me Pedro e todos os dias lamento esse horrível dia que me fizeste viver e com o qual me fazes conviver.

Por mais que eu tente seguir em frente, ter presente que ele me acompanha dia a dia não me chega.

Não chega, entendem?

Por mais sinais que eu receba, por mais provas físicas que me surjam, não chega! Conforta, mas não chega para acalmar o coração de uma mãe que vive amargurada com a falta que este filho lhe faz. Agradeço todos eles e peço para que nunca me faltem, mas é tão pouco comparado ao que já tive de ti um dia.

E no final dou-me conta que não serei a única a fazê-lo este ano e de que não serei a última, porque infelizmente outros pais espalhados pelo país o fazem igualmente.

Fiquei com o meu coração arrasado por mais esta privação que tenho que viver, e não consigo olhar num retrato do meu filho sem que o nó na garganta apareça e eu acabe chorando.

Que triste! Tão triste momento que força nenhuma me apaga da mente, tenha eu a força que tiver ou a vontade necessária para viver.

Como eu queria nunca ter de viver tal privação, meu Deus.

Saudades?

As saudades que tenho tuas são imensamente desgastantes, onde me tento encontrar diante de um espelho e tem momentos que nada vejo a não ser uma imagem esbatida pela amargura do tempo.

Saudades meu amor de tudo o que eras para mim, de tudo o que representavas na minha vida, de tudo o que eu queria que me tivesses permitido viver na tua companhia.

Amo-te e amar-te-ei eternamente, mas não suporto esta dor que cada dia aumenta dentro de mim.

Com tristeza,

A mãe do meu filho tem asas

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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