Luto, Morte, Pais, Pedro, Saudade, Tristeza

Um monólogo comigo mesma onde a esperança acaba no entretanto.

Todos os dias surgem na minha cabeça pensamentos, onde busco entendimentos que não me chegam. São monólogos comigo mesma, são diálogos com a esperança difusa e confusa, gerados somente pelo tamanho do sofrimento que me corrói a alma.

Partilho-vos um, no meio de tantos.

Mãe defilhada – Vamos?

Esperança – Onde?

Mãe defilhada – Buscar a morte pelos cabelos e arrancar dela o que é meu!

Esperança – Como pretendes tu fazer isso?

Mãe defilhada – Entregando-lhe a minha alma para que ela possa devolver a vida a um dos meus bens mais preciosos que levou para o céu.

Esperança – Não podes! Aceita, que te foi destinada esta amargura e faz da tua vida algo com que te orgulhes.

Mãe defilhada – Não quero! Quero sentir-me de novo a mãe que fui um dia! Quero sentir orgulho pelo filho que gerei e não pelo que me tornei sem ele.

Esperança – Mas este foi o acordo que fizeste com ele antes de virem para a terra. Não te lembras?

Mãe defilhada – Como me posso lembrar de uma insanidade destas? Aceitar que o filho quando chegasse aos 18 anos e 364 dias morresse da forma como morreu.

Esperança – Aceitaste porque a sua morte transformaria a forma como verias o amor e todo o seu esplendor. O seu acto iria ajudar-te na tua missão de ajuda ao próximo.

Mãe defilhada – Mas eu já era uma pessoa que me preocupava com o próximo, não precisava deste choque, nem ele de perder a sua vida.

Esperança – Sim, mas precisavas de crescer espiritualmente e isso só é possível com todas as privações que Deus te coloca no caminho para as venceres.

Mãe defilhada – Esperança, pede-lhe para que seja mais brando comigo por favor, não suportarei outra privação como esta.

Esperança – Confia! O acordo estabelecido foi para o teu bem e para o bem dos teus. Faz tudo parte do teu crescimento enquanto ser de luz e amor.

Mãe defilhada – Pede-lhe por favor! Eu só quero poder ter um pouco de tranquilidade no que me resta viver.

Esperança – Respira fundo e Confia Mãe.

Podia ser de facto um diálogo estabelecido com a Esperança, contudo é somente um desejo que nunca será realizado e uma realidade consumada e bastante persistente envolta de agonia e profunda tristeza.

Daria tudo para que a minha realidade fosse diferente.

Nasceria novamente para que tudo pudesse ser escrito de outra maneira, mas não posso, não me deixam.

Com tristeza,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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