Saudade

Um luto privado de uma despedida causado por um vírus que é temido por todos

Nestes últimos tempos não sei o que pensar. Este virus veio abanar tudo o que eu acreditava. Jamais em tempo algum pensei vir a viver em momentos de tanta aflição, insegurança, incerteza de um amanhã melhor.

Todos dizem: Tudo vai ficar bem!

A minha muito particular opinião é de que não vai nada ficar bem.

As familias que perderam já imensos familiares, sem um funeral digno de uma despedida sentida e partilhada, jamais serão as mesmas.

Este luto é como se fosse interrompido, por uma incerteza de uma despedida que não é consumada pela visão.

São sentimentos oprimidos que vão deixar marcas demasiado fortes nos que cá ficam.

Temo, pela saúde  dos meus dois filhos que vivem no plano terrestre. Vivo com um aperto no peito e sufocada com a remota ideia que eles possam passar mal devido a este vírus que nos veio colocar em pausa por um tempo indeterminado.

Já perdi um filho! Não posso perder mais.

Tem momentos que penso que vivo um pesadelo e que vai chegar o dia em que eu vou acordar e tudo não terá passado de um pesadelo marcado por um medo que me consome a alma desde a perda do meu querido filho Pedro.

Até quando vamos viver nesta angústia sem saber se levamos para casa um inimigo invisível que pode causar imensos danos num seio familiar.

Não! Não vai ficar tudo bem!

Muitas familias vão passar fome!

Muitas vão contrair maiores dividas.

Muitas vão ter que fazer escolhas, entre comer ou comprar medicamentos.

Não! Não vai ficar tudo bem!

Vai tudo ser diferente!

Devemos ter pensamento positivo mas confesso que fica dificil perante tantas privações.

Familias separadas dos seus filhos. Filhos privados de um abraço, de um beijo dos seus pais. Mas nada como a morte para nos mostrar o que é verdadeiramente uma separação ou uma despedida.

Tanta relação colocada à prova!

Tanto sentimento sufocado por um vírus que veio para matar.

Sinto saudades dos meus, dos que fui ganhando ao longo do tempo, que me acompanharam nos piores momentos da minha vida. Que me acompanharam e me ergueram perante a morte do meu filho Pedro.

Pois bem!

Pensamento positivo é o que é preciso, mas eu tenho as minhas dúvidas quanto às mudanças positivas que todos nós vamos ter.

O ser humano já há muito que mostrou quais são os seus verdadeiros valores perante um perigo invisível como este.

Com preocupação,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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