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Tudo é terrivelmente doloroso

Tudo é terrivelmente doloroso.

A perda é dolorosa.

A ausência é dolorosa.

A saudade é demasiadamente dolorosa.

A imagem que nos fica na memória referente ao dia da morte de alguém que amamos imenso e em especial a morte de um filho, é um veneno para a nossa alma.

Os meus filhos sofrem imensamente com a perda do seu irmão, seu melhor amigo e nós pais sofremos com eles e por eles, e ainda sofremos porque não o temos mais.

As memórias ficam congeladas para que não se esbatam na nossa mente, onde frequentemente, recorremos às mesmas com a esperança de suavizar a dor.

Mas não é possível.

Esta falta veio para ficar para todo o sempre e não há forma de minimizar seja o que for.

Confesso que tenho-me sentindo mais frágil nos últimos dias, apesar de fazer um esforço para me levantar.

Ainda hoje referia a umas colegas minhas, que eu tenho mesmo que ser aquela pessoa cheia de energia, sorrisos e boa disposição diária perante todos, porque se não o for, eu caio.

Caio numa queda livre como o meu filho, mas numa em que não haverá chão para me amparar, porque a dor que eu sinto é profunda, onde todos os dias converso com o meu Pedro e a questão é sempre a mesma.

“Pedro, porque nos fizeste isto? A nós, que te amamos tanto.”

Nenhum pai ou mãe merece um castigo tão grande.

Tenho saudades de ser tua mãe.

Aquela mãe que brincava contigo, que passeava contigo, que ralhava contigo, que te castigava quando não agias bem.

Aquela mãe que falava contigo sobre a importância da vida e tudo o que ela contem.

Tenho saudades de ser tua mãe a todo o instante e não somente perante uma ausência impotente que sinto desde o teu ultimo suspiro.

Não temos mesmo controlo neste sentimento doloroso do luto pelo suicídio.

Não há forma de o fazer.

Estamos bem num minuto e em fracções de segundo ficamos terrivelmente mal.

Os aniversários da morte vão chegar, e com os mesmos uma triste realidade em que chegará uma altura em que os aniversários da sua morte serão superiores aos seus anos de vida, e isso deixa-me profundamente arrasada.

O meu sonho era mesmo o de poder contemplar o crescimento de todos eles, o seu amadurecimento e contemplar os seus filhos, meus netos.

Não vou conseguir!

Pelo menos, não dos três.

Fico com inúmeros sonhos interrompidos nesta vida, e nada posso fazer para alterar esta sina.

Tenho saudades tuas filhote e corrói-me a alma não poder abraçar-te e beijar-te.

Com amor e uma terrível dor na minha alma.

A mãe do meu filho tem asas

Foto de Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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