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Trechos transcritos do Livro o Demónio da Depressão – Um Atlas da doença – de Andrew Solomon” – Capitulo o Suicídio.

Suicídio

[A tendência suicida tem sido tratada como um sintoma de depressão quando, de facto, pode ser um problema que coexiste com a depressão. (…)

A tendência para o suicídio é pelo menos tão independente da depressão, com a qual muitas vezes coincide, como o abuso de substâncias. George Howe Colt, autor de The Enigma of suicide, diz: <<Muitos médicos crêem que, se a tratarem (A depressão) com sucesso, tratam também o paciente suicidário da doença. Contudo alguns pacientes suicidários não têm nenhuma doença diagnosticada, e muitas vezes os pacientes suicidam-se pouco depois de terem recuperado de uma depressão – ou muito tempo depois.>> Um médico que trata um paciente deprimido e suicidário centra-se em particular na cura da depressão. Se bem que a cura da depressão possa contribuir para evitar o suicídio, nem sempre se passa assim. (…)

(…) Há qualquer coisa errada na nossa forma de pensar esta questão. Não devemos assumir que o suicídio pode ser englobado em sintomas como perturbação do sono, nem se deve abandonar o seu tratamento simplesmente porque a depressão a que foi associada aparenta estar curada. A tendência para o suicídio é um problema relacionado que requer um tratamento próprio. (…)

(…) Não há uma correlação forte entre a gravidade de uma depressão e a probabilidade de suicídio: alguns suicídios parecem ocorrer durante episódios pouco graves, enquanto há pessoas que estão numa situação desesperada e que se agarram à vida. (…)

(…) O suicídio não é um culminar de uma vida difícil; advém de uma localização ocultada para além da mente e da consciência. Posso agora ver em perspectiva o meu curto episódio parassuicida: a lógica que me parecia ser tão óbvia na altura parece-me agora ser tão pouco compreensível como a bactéria que me provocou uma pneumonia há alguns anos. É como um germe poderoso que nos entra no corpo e que se apodera dele. Fui raptado pela estranheza.

Há distinções subtis mas importantes entre querer estar morto, querer morrer e o desejo de nos matarmos. A maioria das pessoas desejou, num momento ou noutro, morrerem anular-se para além do sofrimento. Durante uma depressão, muitos querem morrer, para alterarem a situação em que se encontram, para se libertarem do sofrimento que a consciência provoca. No entanto, o desejo de nos matarmos requer outro nível de paixão e uma certa violência dirigida. O suicídio não é resultado de passividade, é o resultado de uma acção decidida. Requer uma grande dose de energia e uma vontade forte, além de uma crença na permanência do mau momento presente e pelo menos um pouquinho de impulsividade.

Os suicídios podem dividir-se em quatro grupos. O primeiro incluí os que cometem suicídio sem pensarem no que estão a fazer: é para eles tão urgente e inevitável como respirar. São as pessoas mais impulsivas e as que são mais atreitas a cometer suicídio por um motivo externo específico; os seus suicídios tendem a ser súbitos. Como escreveu o ensaísta A. Alvarez na sua brilhante meditação sobre o suicídio, O Deus Selvagem, eles <<tentam exorcizar>> a dor que a vida só gradualmente consegue atenuar. Os que constituem o segundo grupo, um tanto seduzidos por uma morte fácil, cometem suicídio como vingança, como se o ato não fosse irreversível. Acerca deste grupo, escreve Alvarez: <<Aqui reside a dificuldade do suicídio: é um ato de ambição.>> Essas pessoas não pretendem tanto fugir da vida como correr em direcção à morte, não pretendendo um fim da existência mas a presença da sua obliteração. O terceiro grupo comete suicídio devido a um raciocínio erróneo, segundo o qual a morte parece ser a única saída para os problemas intoleráveis. Consideram as opções e planeiam o suicídio, escrevem notas e são muito pragmáticos, como se estivessem a planear uma viagem ao espaço. De um modo geral crêem que a sua morte irá melhorar as suas condições mas também que vão aliviar o fardo das pessoas que gostam deles (de facto, é exactamente o contrário que é verdade). O último grupo comete suicídio por intermédio de uma lógica razoável. Estas pessoas – devido à sua doença física, instabilidade mental ou uma alteração das circunstâncias da vida – não querem passar pelo sofrimento da vida e crêem que os prazeres que possam vir a ter razão nas suas previsões do futuro, mas são lúcidas e é sua convicção que qualquer que seja a quantidade de antidepressivos que tomem ou qualquer que seja o tratamento, nada irá fazê-las mudar de ideias. (…)

(…) O Suicídio é famoso por ser uma solução permanente para um problema muitas vezes temporário (…)

(…) Apesar de os estudos sobre o suicídio estarem pejados de estatísticas sem sentido, podem no entanto ser identificadas utilmente algumas tendências. Os membros das famílias em que houve um suicídio têm muito mais probabilidade do que outros de se suicidar. Isso deve-se e, parte, simplesmente a que os suicídios na família tornam possível o impensável. E deve-se também a que a dor de viver quando alguém que amamos se destruiu a si mesmo pode ser intolerável. Uma mãe cujo filho se enforcou disse-me: «Sinto-me como se os meus dedos tivessem ficado entalados numa porta e eu tivesse ficado eternamente a gritar.»

O suicídio também gera suicídio nas comunidades sociais, O contágio do suicídio é um dado incontroverso. Se uma pessoa comete suicídio, muitas vezes é seguida por um grupo de amigos ou seus pares; este fenómeno é particularmente verdadeiro entre os adolescentes. Os locais para o suicídio são utilizados repetidamente, ganhando assim a maldição dos que morreram.]

Trechos transcritos do Livro o Demónio da Depressão – Um Atlas da doença – de Andrew Solomon” – Capitulo o Suicídio.

Hoje em dia tenho mães que me agradecem o facto de ter feito pressão social com a ajuda de outras pessoas a quem não lhes deve ser retirado o reconhecimento pelo facto de se ter conseguido que a Câmara tivesse fechado o acesso àquele maldito prédio. Mas a triste realidade é que se não é naquele poderá ser noutro qualquer, visto que existe no nosso conselho mais prédios e mais formas de acabar com a vida. Nem vou aqui mencionar quantas tem à sua disposição.

A realidade é que em tudo o que leio e vejo de documentários, existe algo que não me sai da cabeça, que é o que irei dizer a seguir.

A pessoa que tem no seu interior a vontade de morrer, não terá outro plano em vias de realização. Podem ocorrer através de várias tentativas ou com uma concretização com êxito.

A pessoa até pode adiar a concretização por tempo indeterminado, mediante medicação, mas no momento em que se negligenciar com a toma da mesma, os sentimentos de frustração e aniquilação da dor voltam e com um peso ainda maior. E o que já era aguardado ha algum tempo acontece.

É Horrível demais esta impotência que nos arrasa a alma de querermos tudo fazer para alcançar essa pessoa e não nos ser permitido por ela mesma.

Se a culpa é nossa? Não! Não existem culpados! A tristeza, amargura e dor interna é que é terrivelmente mortal a quem sobrevive assim, a quem se acha um peso morto na sociedade ou no seio familiar.

Mesmo que eu enquanto mãe tivesse tido conhecimento de todas estas informações, não teria tido capacidade total de salvamento. Seria somente um adiamento de uma realidade infeliz que estaria para acontecer mais dia menos dia, mais mês menos mês, mais ano menos ano.

Não estou errada nesta forma de pensar, tenho a sua comprovação acreditem.

Com tristeza,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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