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Transformem a dor em resistência!

Há um ano atrás, perguntava-me como iria conseguir sobreviver perante a morte do meu filho Pedro.

Tomava consciência de que a minha vida nunca mais iria ser a mesma sem ele do meu lado, mas também jamais iria saber como eu chegaria até ao dia de hoje com o sentimento que guardo no meu peito e a coragem que tenho em viver todos os dias depois daquele desfecho.

Eu pensei que morreria!

Eu pensei que acabaria desistindo de mim e de tudo o que eu sempre amei.

Fui e sou confrontada com uma vida que continua. A qual é possível ser vivida sem me sentir a mulher mais pobre do mundo presentemente.

Descobri que enquanto mãe defillhada tenho um poder ainda maior na sociedade e principalmente no meu seio familiar. Não se supera a morte de um filho. É um facto. Mas…

Ao colocar-mos toda essa energia transformada em tristeza em forma de amor, certamente não nos iremos sentir tão perdidas.

A razão deste meu texto hoje prende-se pelo facto de conhecer tantos testemunhos que chegam até mim. Testemunhos reais, com medos concretos, fobias, e perdas irreparáveis, porque nenhum ser humano substitui outro, seja ele um filho ou não. Mas mais do que tudo, a verdadeira razão, é porque vejo em cada uma de vós pessoas extraordinárias. Mães e pais fantásticos aos quais lhes foi tirado a capacidade de alimentar um amor para a vida na presença dos vossos filhos anjos, assim como eu em relação ao meu. E é por isso que nada me serviria se eu guardasse a convicção que me alimenta, a minha vontade em viver, o meu amor Pedro, só para mim.  De nada me servirá se somente eu for capaz de seguir em frente acreditando que irei rever o meu filho um dia, mas que por enquanto tenho que me concentrar no amor que sinto pelos meus filhos vivos no plano terrestre e por todos os seres que me são especiais.

Muitas de vós dizem-se que eu sou diferente. Muitas de vós dizem-me que tenho uma força imbatível. Mas enganam-se numa coisa queridas mães. Que é o facto de todas vós terem a mesma capacidade do que eu, embora que em alguns dos casos possa estar adormecida. Mas a minha também esteve. Tenho consciência que muitas de vós pensam estar a fazer o vosso melhor e não tenho qualquer dúvida acerca disso, mas…

Sei também que a vossa capacidade de amar outro ser humano é tão grande, que se tiverem a coragem de transportar esse amor para vocês mesmas, irá ser possível sobreviver e voltar a viver.

Transformem a dor em resistência.

Se desistirem simplesmente de viverem lembrem-se que o vosso filho ou filha desaparecerá convosco.

Ninguém ficará para contar a vossa história.

Ao contrário do que vocês sentem, enquanto enaltecerem o vosso amor, imortalizarem vossas histórias, lembranças, vitórias, conquistas e derrotas, estarão na verdade homenageando o vosso filho ou filha da melhor maneira possível e acima de tudo, da forma mais nobre que pode existir.

Amando!

Permitirão que outros seres conheçam a pessoa fantástica que tiveram na vossa vida, e acreditem quando vos digo.

Sois imensamente ricos!

Porque é possível viver-se de memórias.

Devo ainda partilhar-vos que tenho conhecido mães que têm ganho a coragem de viver, que bem no inicio não sabiam o que fazer da sua vida nem o que pensar, contudo hoje…

Bem hoje! São mães das quais eu me orgulho imenso! por terem a coragem de se amarem em pleno!

Parabéns Mãe! Parabéns Pai!

Sois os verdadeiros heróis numa sociedade que vive focada no próprio umbigo.

Desejo que tenham a capacidade de lutarem por vós queridos pais, da mesma forma que lutaram durante a vida dos vossos meninos e meninas.

Eles continuam a merecer o nosso esforço, coragem, dedicação e amor.

Vivam para amar!

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas

 

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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