Amor, Luto, Saudade, Tristeza

Temos que saber parar um pouco na vida e darmos tempo a nós mesmos, para que não soframos demais.

Ser forte é a minha única escolha e a minha única solução para que tudo não desabe mais uma vez em cima de mim e dos que me amam.

Ser forte cansa, mas eu obrigo-me a reagir todos os dias em que sinto a falta do meu filho Pedro na minha vida.

Acredito que consigo, também é assim.

No outro dia enviaram-me um vídeo, de um pastor brasileiro em que ele me dizia que temos que saber parar um pouco na vida e darmos tempo a nós mesmos, para que não soframos demais. Recebi esta mensagem como uma grande lição. Aprendi que não posso estar sempre a lamentar-me sobre algo que é altamente irreversível e não é por chorar menos ou dizer menos vezes que sinto falta do meu Pedro na minha vida a cada respirar meu, que o amo menos.

Acredito sim que se falar menos com dor, que a minha vida pode ser reinventada e ganhar um pouco mais de cor do que tem tido nos últimos meses.

Não consigo fazer o tempo parar, nem voltar atrás no tempo. O que aconteceu foi que o meu filho me morreu e eu tenho que viver com esta realidade todos os dias.

Não posso e nem quero me tornar numa pessoa amargurada porque eu ainda quero ser feliz, e porque tenho esse mesmo direito que todos vós. É por isso que escrevo tanto e escrevo textos de motivação para que eu os leia e quem me quiser seguir neste caminho cheio de precipícios.

Olho tantas vezes nos perfis do meu filho e vejo como os amigos o amavam e ainda escrevem para ele e é aqui que eu vejo e constato que ele era uma pessoa maravilhosa para todos.

Há muitos que ainda não acreditam, e que sentem a sua falta e da sua companhia.

É doloroso demais todo este sentimento que me comanda a minha vida. Tento não faltar a ninguém e muito menos a mim, mesma. Mas confesso que é difícil. Vivo o dia-a-dia a correr e desejo passar o fim-de-semana sem me mexer, sem ver ninguém, sem ser incomodada. Outras vezes sinto injecções de pura adrenalina onde quero que todos se movam ao meu redor, porque se eu tenho que me preocupar, exijo o mesmo dos outros. É uma constante luta diária.

É importante para nós pais termos cuidado com a solidão porque ela vicia e acabamos por nos entregar a ela de um modo que dificilmente a deixaremos. É por isso que eu me obrigo a lutar todos os dias. Aconselho-o a fazer o mesmo, ainda que lhe pareça completamente impossível.

A dor do outro sempre lhe irá parecer menor do que a sua, porque a sua ninguém a sente e você não consegue medir a do próximo.

É por isso que é preciso não fazermos juízos de valores. No outro dia, recebi um comentário que me magoou, mas por respeito às almas dos nossos filhos, passei por ele sem reagir.

Esta mãe dizia-me que: que por outras palavras, para mim era mais fácil reagir com força, porque o meu filho tinha escolhido a morte, em vez do dela, que lhe havia sido roubado a vida.

Bem, permitam-me continuar sem comentar, porque certamente não teria bons sentimentos para partilhar convosco. Vou continuar a ignorar e irei seguindo o meu caminho que tenho levado até aqui, tentando ter sempre um sorriso nos meus lábios.

Irei seguir o meu caminho sempre dia e noite com o meu Pedro no meu coração e no meu pensamento, só assim terei plena consciência de que ele não será esquecido, porque enquanto alguém o recordar, ele viverá nos nossos corações.

Choro muitas vezes e quase me atreveria a dizer que todos os dias, momentos que não consigo evitar. Sinto-me imensamente sozinha!

Estranho não é? Mas a realidade é que a dor é minha e mais ninguém a sente como eu. Por isso apesar da perda ser partilhada, ela é, na verdade muito isolada, porque cada um tem a sua forma da viver.

Tenho dias que passo o tempo com o nó na garganta, e qualquer coisa é o suficiente para a bomba relógio estoirar e eu me limitar a chorar, querendo desaparecer por momentos.

Tudo me custa, apesar da minha palavra de força que vos tento levar.

Tenho momentos que penso em deixar de escrever, em deixar de partilhar, depois penso que o farei somente para mim, mas algo mais forte me impele a continuar por aqui.

Não forço mais, se não me apetecer colocar no papel aquilo que me assalta no coração, não o faço. Para mim apesar de todas as palavras que coloco no papel, a mensagem é sempre a mesma, de um sofrimento absoluto em que eu busco uma coragem para mim, e mesmo em certos momentos eu não a encontro no imediato. Não que ela não esteja lá, mas eu é que me encontro fechada à partilha que eu própria escrevo. Porque o sofrimento que sinto dentro de mim não me deixa ver para além da falta que o meu Pedro faz na minha vida. Como vêem, também tenho estes momentos de apatia e de descrença total.

Hoje vou ficar por aqui, desculpem se a minha tentativa hoje é falhada, mas hoje sou eu quem precisa de carinho. Sinto-me tão triste e tão solitária na minha dor que me deixa arrasada.

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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