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Temos que acreditar em algo que nos mantenha vivos perante a morte de um filho.

Temos que acreditar em algo que nos mantenha vivos perante a morte de um filho.

Algo que nos dê esperança de que não sofremos em vão, e que tudo tem uma razão para acontecer mesmo que a desconheçamos como seres que somos.

Não, não estou aqui a falar em extra-terrestres, nem em coisas bizarras. Falo mesmo do que acontece diariamente na minha e na sua vida, onde não encontramos justificação para tal.

Mas ela seguramente existe! E estou certa, que um dia o saberemos.

Eu acredito que o meu filho está vivo em outro plano sim. Os sinais que ocorrem comigo, garanto-vos que não são fruto da minha imaginação.

Acredito que ele poderá vir a ter a vida que tanto sonhou ter aqui, mas que irá ter que ganhar o direito à mesma. O que eu quero dizer com isto, é que o ciclo foi interrompido por ele, e tudo o que tenho lido até aqui mostra-me que ele terá que ganhar o descanso tão desejado.

Acredito que irei estar com ele e com todos os meus familiares que morreram. Conhecerei a minha mãe finalmente e conhecerei outros maravilhosos seres que não tive oportunidade de conhecer.

Mas não quero ir já! Acredito que ainda tenho umas quantas coisas para fazer por aqui até poder partir ao encontro do meu Pedro e de meus familiares.

Todos nós acreditamos em alguma coisa e não temos que concordar todos com o mesmo, e é por isso que eu respeito a vossa opinião, mas sou fiel às minhas convicções.

A morte não é o fim, é somente uma pausa para iniciar um novo capítulo, uma nova vida.

É nisto que eu acredito.

A palavra MÃE ressoa nos nossos ouvidos e sabe tão a pouco porque não a ouviremos mais da boca do nosso filho ou filha que morreu. Mas ela permanece inalterada apesar de todos os problemas e obstáculos que encontramos na nossa vida. Seremos sempre a mãe deles.

Honraremos sempre o nome deles e lutaremos por um dia melhor, porque é isso que simboliza o nome que nos assenta tão bem.

Mãe – Um nome cheio de atributos oferecido por alguém que carregamos no nosso ventre durante 42 semanas e que gerámos com tanto amor.

Mãe – um ser cheio de luz que nunca desiste de viver, de vencer, de lutar.

Mãe – uma palavra carregada de luz e grandeza, porque apesar de todo o sofrimento não nos permitimos desistir.

É nisto que eu acredito!

É isto que eu defendo por todas vós!

É isto que os nossos filhos que partiram e os que cá ficaram ao nosso lado, desejam que alcancemos mesmo perante a nossa dor.

Eles precisam de nós mamãs!

Deixem-me partilhar algo convosco que ouvi da boca de uma filha, olhando-me.

“Fico feliz por a minha mãe se estar reerguendo dia a dia depois que a conheceu Rute. Ela estava entrando num poço sem retorno. Hoje já a vejo mais animada e com vontade de fazer algo. Vocês fazem bem uma à outra.”

É verdade minha querida Raquel. Fazemos mesmo, porque partilhamos do mesmo sofrimento, a tua mamã e vocês há 5 meses mais do que eu.

Esta foi a voz do coração falando. Agradecendo por ter a sua mãe de volta aos pouquinhos.

Esta é a realidade que todos os nossos filhos vivos anseiam para que chegue. O dia em que terão os seus pais de novo em suas vidas.

A verdade que vocês desconhecem, é que esta mãe me abordou à porta do continente alguns dias depois do funeral do meu filho, e apesar de eu não querer ouvir ninguém, esta mãe me parou na rua, querendo-me dar um abraço e um beijo, partilhou que também ela havia perdido seu filho Rafael vítima de acidente de automóvel cerca de 5 meses antes.

Hoje a Eugénia faz anos, e confesso que ainda não tive a coragem para lhe mandar um beijinho, porque sei o quanto doloroso é este dia. As tradições que comportavam na sua família face ao mesmo com o Rafael. Mas tenho-a no meu pensamento.

Não vamos conseguir fazer tudo!

Não vamos conseguir voltar ao que éramos.

A vida que nós tivemos um dia, não faz mais parte do passado. O sentimento que nos assola, é que essa vida morreu mesmo. Morreu com o nosso filho que se perdeu.

Por isso é tão difícil sorrir, arregaçar as mangas e reagir. Mas…

Não é impossível!

Não desesperem por não conseguirem agora! Dêem tempo ao tempo e tudo irá ficar mais sereno. Eu pelo menos acredito nisso, ou para já quero acreditar.

É por isso que escrevo tanto e partilho com todas vós o que me vai na alma e no coração, é por isso que desenvolvo um grupo para Pais e Mães Defilhadas onde podem partilhar tudo o que lhes enfraquecer a alma. Não quero somente esta força para mim, de nada me servirá se o cantil da água me matar a sede, enquanto as pessoas que me rodeiam morrem por falta da água.

Partilhar o meu conhecimento, partilhar a minha experiência, partilhar a minha dor porque todos vamos morrer um dia e os que ficam, sofrerão com a nossa ausência.

Enorme beijo para todas vós, mamãs lutadoras e acima de tudo sobreviventes.

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas

Foto de Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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2 Comments

  1. Liliana Anselmo says:

    Estimada mãe coragem (permita-me que a trate assim)
    Estive a ler alguns dos seus artigos e todos me comoveram imenso. A sua enorme coragem é impressionante. E força anímica também. Receba um grande abraço meu. Sou uma mãe em luto que administra uma página no Facebook dedicada a apoiar os pais e as mães em luto, que se chama: Pais e Mães em Luto de Portugal. Gostaria de saber se poderia utilizar os seus textos para as minhas postagens, onde estás teriam o seu nome. Subscrevo-me atentamente,
    Liliana Anselmo.

    1. Rute Reis Figuinha says:

      Querida Liliana, grata pelas suas palavras de incentivo e carinho.
      Se os mesmo servirem para ajudar os que precisam. Disponha.
      Pode partilhar sim.
      Grata 💙

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