Amor Luto Pedro Saudade

Sonho contigo e tu não olhas para mim

Quando eu penso na saudade que tenho da tua presença no meu dia-a-dia, a palavra saudade ganha uma proporção avassaladora.

Ontem tive o que se julga ser pequenos fragmentos de um sonho. Estávamos envoltos de um grupo grande de pessoas que a minha mente identificou durante o sonho, como sendo o grupo de teatro de Alcácer do Sal. Ao mesmo tempo que sonhava parecia ser uma memória do dia 20 de Maio de 2019 durante o nosso ensaio.

Estavas de costas para mim, e lembro-me de ter ficado incrédula de te ver ali, de te chamar “Pedro” e de continuares sem te voltares. O grupo falava contigo e chamava-te para os acompanhares, mas continuavas focado em duas meninas que vinham mais atrás, ambas vestidas de branco. Esperei que olhasses para mim uma só vez e não olhaste nenhuma.

No meu pensamento só me aparecia uma frase. “Meu Deus! O meu filho está vivo! Ele está ali” Pedro!

Mas nunca olhaste para mim. Entretanto acordei.

Foi confuso este sonho, porque se por um lado a minha mente me dizia que estavas morto, por outro deixava-me feliz por te ver ali na minha frente.

Vestias calças de ganga azul intermédio, e usavas o teu casaco azul tipo sweatshirt. Mesmo que seja somente em sonho meu amor, é bom demais ver-te.

Obrigada. Amo-te tanto meu Pedrocas!

Tem momentos que me sinto tão sozinha, onde me abraço a mim mesma e digo que vou aguentar mais esta. Momentos em que a minha tristeza invade o meu corpo causando um mau estar agonizante.

Não consigo gerir as saudades, a dor, a falta, a ausência, a infelicidade, tudo junto num novelo enorme.

O luto é mesmo assim, dias menos bons e dias muito maus. Dias bons, tive sim, mas já ficaram no passado, quando ainda partilhava dos mesmos com o meu filhote Pedro.

Por isso sim! Não te permitas desistir.

Eu e todos os pais que perderam os seus filhos não desistem e ainda procuram encontrar forças para vivermos diariamente com pequenos focos que nos vão ajudando a erguer bem devagar.

Se eu me atrevo a tentar. Atreve-te tu também.

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas.

Foto de Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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