Morte Pais Pedro Saudade

Somos obrigados a lidar com a realidade

Temos que voltar à normalidade

Sou muitas vezes confrontada com esta frase ou com o dia-a-dia  duro, onde eu busco uma lógica que acalme o meu coração. Mas não encontro.

Nada é normal depois que tu partiste meu amor.

O Pai, a mãe e os manos todos os dias tentam, mas a normalidade não nos chega, porque tu não estás mais aqui.

Todos os dias me chegam testemunhos de mães e de jovens que buscam uma ajuda ou uma salvação para o problema em que são obrigados a sobreviver.

Como eu gostaria de chegar ao coração de todos eles. Tenho pessoas que me escrevem, que depois de ouvirem as minhas palavras conseguem sossegar um pouco o coração e dão-se conta do erro que quase cometem.

Sou-lhes grata!

Gratidão é mesmo o que eu sinto por estas pessoas que apesar do sofrimento em que vivem, decidem tentar.

Parabéns a todas elas!

Hoje mesmo o meu coração explodiu de dor. Uma dor que tive de controlar para não desatar ali mesmo a chorar.

Não sei se é da falta do sol quase todo o dia, que não me ajudou muito animar, mas passei o dia todo muito em baixo e praticamente a dormitar. Quando fui buscar os miúdos às escolas,

Pedi ao meu filho David para apanhar o Kiko à sala do ATL enquanto eu esperava no carro e pela primeira vez, fiquei profundamente agoniada, enquanto os observava.

Não que o David nunca o tivesse feito antes, mas era normalmente o Pedro, quem lá ía abaixo apanhar o Kiko, enquanto eu ficava aguardar por eles ao portão.

Era algo que ele fazia com gosto e nunca se negava.

O horário escolar dele permitia-lhe sair mais cedo do que o David e apanhava boleia comigo para casa na maior parte das vezes.

Hoje já não o pode fazer mais.

Os meus olhos encheram-se de lágrimas e o nó na garganta instalou-se e fui obrigada a engolir em seco e a limpar as lágrimas que escorregaram.

Não queria de modo nenhum que os meus filhos me vissem assim depois de um dia de aulas.

É isto! Uma luta diária em que tenho que me manter lúcida e o mais activa possível.

O dia-a-dia de uma mãe desfilada é mesmo terrível.

São hábitos que desaparecem sem sequer termos sido avisados previamente que algo de errado acontecia na mente do nosso filho.

É uma impotência horrível que não desejo a ninguém.

Amo-te Pedro e vou amar-te sempre mesmo que não entenda a tua decisão.

Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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