Amor, Luto, Morte, Saudade, Tristeza

Somos mães, somos pais, não somos máquinas, não somos super heróis.

Para sempre no meu coração irás ficar, nada te vai levar de mim, vou viver contigo até ao fim no meu pensamento e em cada passo que eu der na tua direcção.

Transformaste-te em uma estrela e a minha vida iluminaste sem saberes que esse seria o nosso destino.

Nenhuma mãe cria um filho para o entregar para a morte, mas quis a vida que assim fosse e eu vivo amargurada dia a dia.

Tenho tantas, mas tantas saudades tuas, mas permito-me não desistir, porque sei que não era isso que tu querias e eu não quero desiludir-te nos tempos que me aguardam na minha vida.

Uma mãe nunca desiste! Um pai nunca se dá por rendido!

Uma mãe resiste a todas as dificuldades que o destino ou a vida lhe coloca na frente.

Um filho que morre sem ser de sua vontade, não quer, nem coloca sequer a hipótese de trocar de lugar com a sua mãe ou pai, porque o amor que nutre por eles é maior do que ele mesmo.

Da mesma forma que nós trocaríamos de lugar com eles.

Esta é uma das vertentes do amor.

Colocar-se no lugar do outro.

Um filho que escolhe morrer, não deseja ver a sua família sofrer, eles simplesmente procuram uma solução para a dor que os corrói por dentro, sem pensarem que a sua escolha irá trazer muito sofrimento a toda a família e amigos.

É por isso!

É por isso que eu continuo me obrigando a reagir diariamente!

É por isso que eu vos digo e incentivo a viverem os vossos restantes dias da melhor maneira possível, honrando a memória de vossos filhos que partiram.

Somos mães, somos pais, não somos máquinas, não somos super heróis.

Queremos ser o ídolo à imagem que o filho desenha para nós, à imagem que nós tentamos levar até ao filho, mas não somos máquinas e nem somos super heróis.

Levantamo-nos cedo, uns trabalham de noite, outros trabalham de dia, para tudo levar aos nossos filhos. Uns têm um emprego, outros têm dois ou mais, mas não desistimos e continuamos sempre em frente com o propósito de fazermos felizes quem partilha o dia-a-dia connosco.

Enfrentamos filhos que abandonam os seus pais, enfrentamos filhos homicidas, enfrentamos processos em tribunais, enfrentamos maridos nas cadeias, enfrentamos filhos na droga, enfrentamos filhos que se matam, enfrentamos filhas e filhos que se prostituem, filhos que nos morrem, nas estradas, assassinados por outros, de doenças, mas somos seres humanos. Não somos máquinas, nem super heróis. Os filhos querem mais! Muitos mais! Todos queremos mais, e perante todas estas adversidades que cada um enfrenta no seu dia-a-dia, somos obrigados a lutar, a procurar a serenidade necessária para não se cometer nenhuma loucura.

Todos querem, que nós tenhamos as respostas todas, prontas, na hora em que eles as solicitam, mas nem sempre pode ser assim. Nem sempre conseguimos que seja assim. Porque meus queridos, somos humanos. Não somos super heróis.

Levamos uma vida a lutar, levamos uma vida a travar batalhas, a levantar depois de cada queda, a levantar depois de cada guerra, mas não desistimos. Estamos cá e lutamos.

Os filhos desistem!

Os filhos abandonam tudo e todos, os pais, os irmãos e os sonhos, mas nós pais, continuamos a ser humanos, não somos máquinas, nem somos super heróis.

Mas somos todos, uma espécie de pais incompreendidos, ou serão os filhos que sentem que nós não os compreendemos? Julgo que ambas estão correctas.

Nunca está nada certo para os nossos filhos. Nunca está nada certo para os pais. Queremos sempre mais.

E porquê?

Porque vivemos numa sociedade de consumismo, nunca ninguém se contenta com pouco, querem mais, e mais e mais.

A minha amiga tem um telemóvel muito louco eu quero igual ou melhor do que o dela.

A minha amiga tem umas calças da Levis, eu quero umas melhores do que as dela, mais caras, mais rotas, mais descoloradas, mais belas, não importa!

Não importa que nem seja nada, mas eu tenho que ter melhor do que as dela.

Eu quero que assim seja! E os meus pais, tem que me dar. Não aceito um não como resposta. Porque eu sou filho ou filha, e eu tenho esse direito.

Não!

Não tens esse direito!

Tens o direito de ser humilde!

Tens o direito de ajudar os teus pais!

Tens o direito de compreender que eles não conseguem mais, tens o direito de perceber que por vezes um não na boca dos teus pais, custa dizê-lo, mas quando o fazemos, estamos focados somente no teu bem-estar ou empenhados no processo de educação.

E porquê?

Porque são humanos, não somos máquinas, nem super heróis.

Deixa os heróis para os livros de banda desenhada, para os filmes, para os desenhos animados, ou para os vídeos games que passas dias e noites, trancado no teu quarto a jogar com os teus amigos online.

Porque nós, teus pais, não somos super heróis!

Somos seres humanos, pessoas normais, como tu e como os teus amigos, nada mais.

Pensem nisso!

Pensa com carinho e coloca o amor na frente de tudo quando houver mais alguma vez em que penses que os teus pais não te amam, ou que não fazes mais falta nenhuma cá, que não encontras motivos para viver, ou que nem queres saber se morreres amanhã.

O mesmo te digo mamã ou papá!

Pensa em tudo o que ainda podes viver, na partilha que ainda te espera na vida que tens pela frente na companhia dos que te amam.

Mesmo que agora te pareça difícil.

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas

 

 

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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