Amor, Esperança, Gratidão, Luto, Morte, Pais, Saudade, Sinais, Tristeza

Só o amor opera milagres

21:59 de 08 de Maio de 2020, algo aconteceu enquanto eu lia um texto sobre a alma e ponderava aceitar ou não gostar de uma página. O copo da vela que eu tinha a arder em cima da salamandra simplesmente explodiu e saltou vidro por todo o lado. E um arrepio percorreu o meu corpo do alto a baixo.

Que sinal foi este? Terá sido somente uma coincidência?

Nunca nada parecido me havia acontecido.

Encontrava-me sozinha na sala e com aquele barulho enorme o meu marido que estava no quarto com o nosso filho Francisco, correu a perguntar o que se passava, o que tinha acontecido. Ficámos ambos sem reacção. Tirei fotografias de modo a partilhar o que havia acontecido com uma querida amiga minha para saber a sua opinião.

No momento em que tudo aconteceu o meu pensamento voltou-se para o meu filho Pedro. Como se fosse um sinal para não seguir a página, nem para ler os seus conteúdos. Embora que o que eu tenha lido naqueles dois a três minutos, me tenha feito sentir bem.

Os mistérios da alma” é um assunto que me interessa bastante. Mas como sabem não ficou por aqui. Na manhã seguinte, (09 de Maio) ou melhor dizendo, madrugada. Quando saio para ir trabalhar, ao entrar no meu carro, apercebo-me que tenho um coração perfeito no pára-brisas do meu carro.

Apressei-me a ligar as escovas de modo a limpar o orvalho da noite e reparo que o coração está do lado de dentro do carro.

Fiquei de coração cheio!

Agradeci sem parar por esta manifestação de amor.

Ainda perante tal manifesto, quis verificar se os meus olhos não me enganavam e como o meu dedo percorri toda a silhueta daquela maravilhosa forma.

Era real!

O coração estava mesmo lá!

Aprecei-me a tirar fotos para imortalizar aquele sinal e poder partilhar com a minha família. Segui o meu caminho para o trabalho e desliguei-me do ocorrido.

Pensei para mim, que quando voltasse ao carro aquele sinal já havia desaparecido, mas não foi bem assim que aconteceu.

Quando voltei a entrar no carro 6 horas depois e no regresso a casa, dou-me conta que o coração mantinha-se lá. O mesmo embaciado de manhã e agora sem o delinear do meu dedo.

Vocês não conseguem imaginar a quantidade de amor que me invadiu naquele momento. Mais uma vez tirei fotografias para registar o momento e vim sorrindo o caminho todo de volta a casa.

Todas estas manifestações de amor ajudam-me a continuar e é por isso que vos tenho dito ao longo dos últimos meses que temos uma enorme capacidade inata de viver e é no passar do tempo que iremos encontrar as respostas suficientes para continuar a viver. 

Mas desta vez, de uma forma mais serena.

Todos nós temos a capacidade de reflectir sobre os mais diversos problemas e acontecimentos mais marcantes de nossas vidas.

Então e na dor?

Alguém reflecte na dor? Sobre a mesma?

Não!

No inicio isso é mesmo impossível conseguir fazê-lo.

Sentimos-nos tristes, amargurados, arruinados e mesmo mortos por dentro.

Mas… Eu passei a fazer diferente!

Passei a reflectir muitas vezes, mais do que podem imaginar. E quer acreditem ou não, é o que me tem ajudado a reagir. Porque apesar da tristeza se manter dentro de mim, eu não quero e recuso-me a viver triste. Eu não deixo que a tristeza e a dor tomem conta da minha vida.

Para alguns de vós que me acompanham bem desde o inicio, já se aperceberam certamente que eu tenho evoluído na dor.

O que eu quero dizer com isto?

Simplesmente que não deves escolher viver amargurada libertando em cada poro da tua pele essa agonia que sentes todos os dias. Deves sim, tentar alimentar o teu coração com o amor que nutres pelo teu filho, pela tua filha, ou num caso muito especial de uma querida senhora que eu conheço, pelos seus pais.

Quando a tristeza aperta, lembrar todos os momentos que com ele, vocês de sentiram felizes.

Se o conseguirem fazer isto que vos escrevo, garanto-vos por experiência própria que se irão sentir mais tranquilos.

É importante acalmar o nosso sentimento de impotência perante a morte de um filho nosso.

Ele ou ela já morreram, não há nada que possamos fazer meus queridos, para fazer o tempo voltar atrás. Mas podemos e devemos fazer algo para que a nossa caminhada aqui sem eles, seja o mais sereno que possa ser.

Sei que para muitos de vós ainda é penoso sentirem-se vivos, mas acreditem que quando o conseguirem colocar em prática, os nossos amores vão conseguir chegar bem mais perto e a seu tempo ser-vos-à mais fácil interpretar os sinais que eles nos enviam.

Lembrem-se sempre que só o amor opera milagres, onde não existe lugar para a dor, sofrimento e agonia. Vivam o amor que sentem pelos vossos filhos de forma permanente e sem terem medo de voltar a sorrir e apreciar a vida.

Comigo tem resultado. 

Com carinho e um enorme respeito pelo vosso sentimento,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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