Amor, Luto, Morte, Pedro, Saudade, Suicídio, Tristeza

Só faltam 10 dias para o 1º Aniversário da tua morte

Pessoas diferentes, processos diferentes de dor e de aceitação perante o luto.
O avaliar da dor é muito particular e delicado. Eu que sou mãe defilhada vai fazer 1 ano no dia 24 de Maio, bem na véspera do 19º Aniversário do meu filho em que ele decidiu colocar um fim à sua vida, não consigo avaliar a dor da mãe Sónia, pela morte de Valentina.
A morte de um filho ou de uma filha é arrasadora, mata-nos por dentro, perdemos toda a capacidade de reacção perante a vida. Contudo existem diversos tipos de luto bem como diversas formas de encarar-mos o mesmo. Apesar do meu luto ser horrível demais porque o meu filho não morreu de doença, nem de acidente, nem porque o mataram e sim porque ele desistiu de viver… Apesar de todos estes lutos e causas de morte, eu não me atrevo a dizer que conheço a dor da Mãe Sónia ou a dor de uma mãe em que o próprio progenitor colhe a vida a um tão delicado ser como um filho. Estaria a ser incorrecta. Ninguém conhece a dor do outro, sem passar pelo mesmo processo.

O dia mais triste da minha vida aproxima-se com uma velocidade terrível que eu não consigo mandar parar. Num mês que é festejado a aparição de Nossa Senhora, Mãe de todos nós.
Num mês em que é sempre festejado o dia mundial de todas as mães.
Num mês em que o meu filho Pedro nasceu no ano de 2000 e num mês em que morreu no ano de 2019.

Todos os dias procuro ferramentas para não ousar desistir de mim. Não falo propriamente em morte, mas sim na perda de encanto por tudo o que me rodeia. Pela perda de afectos, pela perda do respeito pelo ser humano.
Todos os dias sou acarinhada e acarinho de volta.
Todos os dias eu recordo o momento da morte do meu filho.
Todos os dias sem parar eu sofro, choro, me agonizo por dentro com a falta que ele faz na minha vida. Não posso simplesmente fingir que a dor não está presente em tudo o que eu toco, vejo, ou falo. Irão existir sempre na minha vida pequenos gatilhos que despoletam as memórias que tenho e guardo na minha memória.
Tem dias que apesar de ter passado quase um ano, eu me revolto com este fim, com esta terrível decisão.
Privada de tudo nele, eu me reinvento para não morrer de tristeza.
A data do seu falecimento se aproxima, assim como a do seu aniversário que seria no dia a seguir.
Cada vez que me assola no pensamento a lembrança de ter o meu filho na morgue enquanto lhe cantávamos os parabéns a pedido do seu maninho de apenas 8 anos, tudo em mim desfalece e assim fico em modo de pausa num grito de alma que não acabará nunca.
Esta não é só a minha realidade…
Esta é a realidade de todas as mães defilhadas…
Esta é a realidade de todos os pais defilhados…
Esta é a realidade de todos os irmãos que perderam os seus irmãos neste caminho árduo que se chama de vida.
Vão sempre ocorrer dias piores do que outros, pela aproximação de datas comemorativas em que ele se tornava uma peça fundamental na alegria e partilha.
Meu Deus, que dor carrego eu na minha alma que fica tantas vezes difícil de respirar.
Tenho tantas saudades tuas meu amor onde muitas vezes penso para mim como eu gostaria que o mês de Maio simplesmente desaparecesse do calendário anual.
Com uma terrível saudade e um amor interminável,
Recebe onde te encontras um beijo enorme da mamã.

Com tristeza,
A mãe do meu filho tem asas

Foto de Pedro Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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1 Comment

  1. Faz hoje precisamente um ano, em que um anjo foi embora desta vida terrena, para nós proteger lá no céu… todos os dias falo com ela…e sei que ela me ouve..tinha apenas 34 anos

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