Amor Luto Pais Pedro

Sinais do Pedro e o livro “Querida Madalena”

Começo a minha viagem para ir ao encontro de uma recente amiga neste tumulto de emoções e sentimentos onde o processo do luto é desconhecido na totalidade.

Nunca sabemos como reagir em cada momento em que nos surge uma memoria ou um acontecimento que nos relembra os nossos filhos que já partiram.

Fui convidada a estar no lançamento do livro da Sílvia Maurício Russo com o titulo “Querida Madalena” e irei estar com muito gosto.

Não vou sozinha, levo a minha irmã a quem eu amo muito. Mana amo-te da lua até aqui e o sentimento é reciproco porque ela não deixa esquecer-me um só dia da minha vida.

Ontem adquiri um colar da pedra da estrela. Tive um sentimento muito forte em adquiri-lo. Quando cheguei a casa, fui logo energiza-lo e algo de fantástico aconteceu. Enquanto o banhava em incenso, a pedra parecia ter vontade própria. Ela rodava por cima do incenso, ora para a frente ou para trás. Era como se estivesse magnetizada com o incenso. Cheguei mesmo a desviar o fio e a pedra da estrela, inclinava-se completamente sobre o incenso. Nunca me tinha acontecido nada igual. E olhem que eu há mais de 10 anos que adquiro cristais, e sou contemplada muitas vezes com os seus poderes.

Depois de energizado, coloquei-o junto do retrato do Pedro, no pequeno altar que tenho dele. Para hoje o poder usar aquando do lançamento do livro da pequena “Querida Madalena”.

Durante a madrugada, algo de magnifico aconteceu.

Esta noite dormi com o Kiko, estávamos só nós dois. O pai e o mano David haviam partido para uma noite de aventura.

Foi tão bom dormir com o meu filhote.

-“Mãe, mãe, hoje vamos fazer conchinha”, “Eu tenho tantas saudades de fazer conchinha contigo mamã.”

Foi uma noite tranquila. Por vezes despertava com o toque do Kiko no meu corpo, ele tem essa necessidade e eu respeito.

Eram 06:40 e desperto. Desta vez sem ser o Kiko a fazê-lo. Fico em silêncio, a pensar que voltei acordar cedo, mesmo com a toma do comprimido todas as noites para dormir. Senão não consigo.

É uma triste realidade em que vivo actualmente. E eis que surge algo inexplicável. O kiko coloca a sua mão direita na minha anca e fala alto e com um discurso bem perceptível.

“Quero sair daquele lado! Quero estar lá no céu.”

Perdi o chão! São várias as conclusões que poderia dar para os pensamentos que me surgiram naquele momento, mas não tenho forma de o fazer. O único que bombeia no meu coração e mente foi o do meu Pedro ter utilizado o seu maninho para comunicar comigo. Não há outra explicação. Veio de uma forma dura e cruel revelar-me o que há muito leio sobre os espíritos das pessoas que colocam um fim à vida.

Não me vou alongar neste discurso porque tenho consciência que as pessoas não entendem e as que são mais sensíveis â realidade dos espíritos não acreditam que estes em especial, passam por momentos menos bons, mesmo após a sua morte.

Não serei eu a mudar a vossa mentalidade. Acredito no que leio e não é um só livro que me mostra que estou no caminho certo.

O processo é mais cruel do que o imaginamos. Uma coisa é certa, o meu Pedrocas usou o irmão para falar comigo e isso ninguém me poderá demover de tal. Não foi sonho! Eu estava bem acordada e assim que me foi passada a mensagem, fui para a sala escrever o que ouvi da boca do meu Kiko.

Voltando ao lançamento do livro “Querida Madalena”, no qual estive presente com muito gosto e convenhamos que o “muito gosto” é unicamente pelo desejo que eu tenho que o livro da Sílvia tenha muito sucesso de vendas. Porque conforme foi dito no lançamento, é um processo muito próprio e as pessoas que nos rodeiam nem sempre sabem o que falar e por isso tem tendência em se afastar.

Não o façam, nem se sintam incomodados. Tal como para vocês é natural falarem do dia-a-dia dos vossos filhos vivos, para nós, pais desfilhados é normal lembrar-mos o que eles foram um dia.

Sílvia, foi uma honra estar presente neste dia tão especial para ti, para o Pedro, para a Madalena e para o Rodrigo. Agradeço esta partilha, desta luta diária que é viver a ausência carnal da Madalena.

Deixo também um beijinho à Madrinha da Madalena, pelo seu gesto em me vir dar um beijo e transmitir força perante a minha perda. O seu gesto sensibilizou-me bastante.

Desculpa-me ter ficado só até à parte dos autógrafos, não me senti muito bem depois de te ter dirigido a palavra no final da apresentação. O meu coração disparou e pensei mesmo que passaria mal ali na frente de toda a gente. Sei que entendes porquê.

Quanto ao Pedro, teu esposo, quero agradecer o seu cuidado e as suas palavras, olhando-me nos olhos enquanto me segurava na mão. Infelizmente não estamos só, e digo infelizmente porque preferia seguramente ser a única mãe no mundo a viver tal perda, só para que mais nenhuma tivesse de experiênciar o cocktail de sentimentos que envolve todo o processo de luto na vida de qualquer pai.

Gratidão Filhote!

Gratidão Sílvia!

Gratidão Mana!

Já havia terminado este testemunho, enquanto viajava de comboio, já de regresso a casa e eis que me surge mais um sinal, quando desço nas escadas rolantes deparo-me com um papel e a seguinte inscrição: 25C4. Quando agarro no telemóvel para registar o momento, o relógio mostra as horas 19:11.

Passo a explicar como interpretei os sinais.

Hoje quando partilho o que aconteceu às 06:40 com a minha mana, ela chama-me para a necessidade de eu ter de deixar partir o meu Pedro. Seguir o seu caminho no plano espiritual.

E surge-me este sinal caído no chão onde eu teria de passar obrigatoriamente: 25, o dia do Aniversário do Pedro. C4, agora uma casa de 4. E 19:11, hora e minutos da morte do Pedro.

Ainda duvidam? Já ia a caminho do carro e senti vontade de voltar atrás para apanhar o papel. Tenho-o comigo.

Amor, apesar de toda a circunstância em que vivo de profunda tristeza, eu estou muito atenta. E ainda ontem havia partilhado com o pai que já não tinha sinais teus há alguns dias.

Grata pela tua demonstração de amor. Perdoa-me por ainda não conseguir deixar-te partir.

Foto de Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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2 Comments

  1. Ana Jesus says:

    Olá boa noite “Pocahontas” continuo a acompanhar os seus textos e a admirar a capacidade de fazê – lo. Há por vezes algumas questões que não entendo e continua a não ser fácil, e já passaram 8 meses. 😭😭. Vi em algumas fotos que pertencem aos escuteiros, são católicos? Peço desculpa pela pergunta. Mas sou catequistas e neste momento quase sem forças para iniciar o novo ano. Reparei que fala nos cristais e também nos sinais. Onde ando eu perdida que não vejo nada 😭😭. A medição também não faz muito efeito, o choro é todos os dias, e a aceitação, essa acho que nunca virá. Não consigo perceber onde é porque eu perdi o meu menino 😭😭😭. K fiz de errado, o k não rezei… Ainda só sonhei com ele 2 vezes, em 8 meses! Comentários do costume…. Tens k ter paciência, a vida é assim, foi a vontade de Deus, todos vamos um dia, tem k se fazer pela vida 🤬🤬🤬… Eu quero tão pouco, eu só quero o meu menino 😭😭. Obrigada pelo seu tempo. 😘

  2. Olá Rute,

    Moro em Alenquer há alguns meses e tenho acompanhado a história do Pedro desde a triste noticia.
    Comecei a ler tudo o que podia sobre a história e todos os seus post´s !
    Pelos videos que vi….. pelas fotos que vi só vejo alegria e sorriso lindo no rosto do Pedro.
    Sou mãe de uma menina de 8 anos e assusta-me toda esta realidade, assusta-me pensar que pode de futuro algo possa estar a acontecer com a minha filha e eu não conseguia perceber os sinais.
    Quero que saiba que a admiro imenso………… a sua coragem e a sua formidavél escrita e forma de lidar com a DURA situação.

    Até hoje penso o que levaria uma rapaz de sorriso transparente tomar uma decisão destas ;(

    Um beijinho e um xi coração apertado

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