Luto, Morte, Pedro, Saudade, Tristeza

Seja o que Deus quiser!

Seja o que Deus quiser!

Todos nós uma vez ou outra em nossas vidas verbalizamos esta frase.

Contudo nem todos aceitam o que ela quer realmente dizer quando a jogamos ao vento.

Por exemplo, agarrando num exemplo mais simples e cruel que nos cerca todos os dias de nossas vidas.

Quando um filho nos adoece, nós costumamos dizer, depois de muito fazer para que ele recupere bem, “seja o que Deus quiser”, no entanto se alguma coisa corre menos bem, nos apressamos a culpar esse Deus a quem atribuímos o poder da cura e salvação do nosso rebento.

Eu muitas vezes pensei assim!

Hoje não penso mais.

Não é Deus quem quer realmente. Somos nós, os filhos, os médicos, a doença, os tratamentos que envolvem a sua cura, seja qual for a maleita.

Por exemplo, abraçamos um novo emprego e muitas vezes nas conversas com os nossos amigos e familiares, dizemos que tudo correrá bem se Deus quiser.

Mais uma vez, eu corrijo. Não é Deus que vai fazer o seu trabalho nem mostrar o seu esforço por fazer as coisas bem. Não é Deus que vai avaliar a sua prestação no trabalho e a relação com os seus colegas. É você!

Por isso que eu defendo que devemos ser nós a tomar as rédeas da nossa vida, das nossas decisões, da nossa sorte e não esse Deus a quem damos tanta responsabilidade.

Outro exemplo que vos posso dar é de eu mesma.

Muitas vezes ouvi comentários onde referiam –“ queira Deus que aquela mãe tenha as forças necessárias para sobreviver a esta perda”. “ Rute, tu vais conseguir ultrapassar isto, se Deus quiser”. “Rute, graças a Deus que já estás a trabalhar, vai fazer-te muito bem se Deus quiser”.

Corrigindo novamente. Eu só irei ultrapassar esta perda se eu conseguir aceitar. Eu só irei ter força para seguir em frente se eu amar viver. Eu procurei trabalho e arranjei porque eu quis, porque preciso de manter a minha mente ocupada, senão a tristeza invade a minha mente e o meu coração.

Atenção, que não digo que Deus não exista, nem que ele não nos ajude a seguir a nossa vida, mas somos nós os detentores das nossas conquistas diárias, das nossas vitórias perante os desgostos que temos e que somos obrigados a viver com.

Não coloques o peso das tuas tristezas no nome de Deus!

Não imponhas essa vontade que te assola no designo do mesmo.

És tu quem decide se quer ser feliz e fazer pela vida e pelos teus desejos mais profundos. Não é Deus que vai viver a vida por ti, nem enxugar as tuas lágrimas. A única coisa que poderá fazer por ti é mostrar-te o caminho de uma forma muito singela, mas és tu quem limpa a mata ao teu redor para remover os obstáculos e não esse Deus que tanto falas, mesmo quando dizes não acreditar que ele existe.

“Se Deus quiser! Dizem vocês e digo eu!”

Mas estamos tão enganados!

O “Deus,” somos nós próprios!

Por isso passei a dizer!

“Vai tudo correr bem! Tudo vai dar certo! Só tens que acreditar e não ficar parado!

Diferente não?

Eu sei! É um assunto muito controverso!

Se por um lado agradecemos a um Deus que tudo providencia para que tudo corra bem na nossa vida. Por outro lado desacreditamos totalmente nesse mesmo Deus que acreditamos ser o culpado por deixar morrer tantas crianças, incluindo os nossos filhos.

Mas estamos novamente enganados!

Não é Deus que faz ou permite que essas crianças morram de fome, maus tratos, e infelicidade. É o homem! Somos todos nós!

Parece contraditório o que aqui agora vou escrever, mas já o tenho escrito outras vezes e verbalizado às pessoas que me rodeiam no dia-a-dia.

Por mais estranho que vos pareça!

Eu agradeço a Deus o facto de ter tido misericórdia do meu filho Pedro e de não permitir que ele ficasse agarrado a uma cama e cego, preso num corpo sem mais nenhuma vitalidade.

Por mais doloroso que seja, agradeço a Deus por ter permitido a sua morte, e assim respeitado a vontade do meu filho. É por isso que a minha visão é um pouco diferente agora. Não foi Deus que permitiu que o meu filho morresse! Foi o próprio Pedro que escolheu.

Livre arbítrio! Lembram-se?

Todos nós temos o poder de decidir viver ou morrer e não esse Deus a quem atribuímos tanta responsabilidade!

Mas esta é a minha versão de vida, já a vossa pode ser bem diferente.

Com carinho e respeito,

A mãe do meu filho tem asas

Foto de Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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2 Comments

  1. É sempre muito difícil aceitar e superar a morte de alguém que amamos, ainda mais de uma criança que acabou de começar sua vida, culpamos Deus, o responsabilizando por tudo de ruim, mas não sabemos quais foram as reais intenções do criador, e ás vezes eles nos tira pessoas para o bem delas e até mesmo do nosso ás vezes, a parte mais difícil é confiar que entenderemos isso um dia.

  2. A dor da perda é uma das maiores, se não a maior dor que podemos experimentar, e é difícil muitas vezes não se sentir chateada com Deus, mas temos que crer que tudo é para sua glória e nosso bem.

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