Amor, Auto-ajuda, Esperança, Irmãos, Luto, Morte, Pais, Pedro, Saudade, Tristeza

Se tiverem que viver o vosso dia-a-dia em “banho-maria”. Vivam!

Quando me dizem que o meu Pedro agora nos protege, ou que todos os nossos que fizeram a grande viagem, cuidam de nós e nunca nos deixam, e influenciam o nosso destino.

Eu pergunto!

Onde estavam, quando o meu filho precisava de força e saúde (clareza) mental?

Onde estavam que não me avisaram que o meu filho correria risco de vida?

Onde estavam quando lhe dei a minha ajuda para ele desabafar comigo ou com a médica?

Se tudo podem!

Porque não ajudarem-nos a não tornar a nossa cruz tão pesada?

Eu sei que existem forças que me têm ajudado. Sei disso e não ponho em causa.

Tenho tido alguns episódios na minha vida que me faz ter respeito por esta matéria e me faz crer que posso mesmo ser como a lenda que diz que os gatos tem sete vidas.

Talvez eu também as tenha. Mas então?

Porque me auxiliaram só a mim e não aos meus?

Protejam os meus! Eu que me lixe!

Eu falo muito do meu Pedro! Falo com a minha mãe muitas vezes, com a minha avó, avô e sogra.

Acredito que eles nos ouvem! Mas não chega!

Tenho tantas saudades dele que chego a ficar tonta de tanto suster a respiração devido à dor que me assola o corpo e a mente.

Perder um filho causa-nos uma dor, que jamais em tempo algum conseguiremos curar.

A nossa mente vai somente acostumando-nos à ausência do mesmo. Deixamos de ter as preocupações diárias com esse filho e a saudade instala-se.

Em tudo o que leio e me aparece no caminho, me mostra que a morte não é o nosso fim. Que as nossas almas são eternas. E que a morte é somente uma separação temporária.

Que me perdoem a minha mentalidade egoísta, quando me referem que o céu é um lugar melhor e que meu filho está agora num lugar muito melhor do que todos nós aqui no plano terrestre, Mas eu quero! Queria, o meu filho sempre aqui ao pé de mim. Quando desejei ser mãe, nunca fiz planos para ser diferente. E se isso faz de mim uma pessoa egoísta, então sim sou imenso.

Não me digam por favor. que ele se encontra cercado de pessoas melhores neste momento, ou de pessoas que o amam imenso. Porque as melhores pessoas que o protegeriam de tudo e por quem dariam a sua própria vida, somos nós! A sua família! Os que os amam verdadeiramente!

A família que ele escolheu!

A família que ele abandonou!

Mas não há outra maneira e temos mesmo que seguir em frente.

Acredito cada vez mais que a melhor forma de honrar a sua passagem pela vida é cuidando de mim. Realizando os meus sonhos, projectos e ambições. Olhando e cuidando dos seus irmãos que precisam de imenso colinho e carinho e acima de tudo cuidando e olhando pelo seu pai que sofre como eu com a ausência do nosso Pedro.

A saudade dói mesmo!

A saudade faz sangrar o nosso coração.

A saudade tira-nos o ar dos pulmões.

Mas é possível equilibrar tudo o que de mau sentimos e transforma-lo numa obra de vida.

Pensar no tipo de mãe que queremos ser no futuro.

Sim! Porque mãe, seremos sempre! Com o filho vivo ou o filho morto! É um nome que o ganhamos com distinção e não há forma de o perdermos nunca.

Então, que tipo de mãe queremos ser?

Se uma mãe com uma imagem de orgulho e esperança, ou se uma mãe com uma imagem que inspira cuidados a toda a hora, triste, amargurada, derrotada, envelhecida, morrendo aos poucos.

Atrevo-me a dizer que os nossos filhos iriam escolher para todas nós a primeira opção.

Então que melhor forma de retribuirmos esse amor a eles?

Vivendo minhas queridas! Com todos os picos de tristeza e alegria, revolta e aceitação, mas nunca equacionando a palavra desistir.

Busquem forças em tudo o que vos coloca um sorriso nos lábios e cuidem especialmente de vós. Mimem-se!

Não se esqueçam de vós!

Se tiverem que viver o vosso dia-a-dia em “banho-maria”. Vivam!

Mas não desistam de viver!

Coloquem sempre o rosto do vosso filho ou filha com o seu maravilhoso sorriso na vossa mente e mentalizem que ele e ela sorriem para vós pela perseverança de não se resignarem à dor e à saudade.

Vamos acreditar que um dia todos nós vamos reencontrá-los e recuperar o tempo que nos foi roubado.

No céu tudo é diferente!

Com um enorme beijinho a todas vós.

Com uma enorme saudade e uma promessa a ti meu filho que amar-te-ei para todo o sempre.

A mãe do meu filho tem asas

Foto de Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

You may also like...

1 Comment

  1. Maria José Martins says:

    Parabéns Rute pela clareza e realidade que expõe os sentimentos ❤🕊
    Essa é sem dúvida a atitude que orgulha o Pedro !
    Os irmãos sem dúvida, querem, teem direito a toda a atenção, alegria de viver e conviver com pais “saudáveis, emocionalmente estaveis”.
    Um dever e direito da família terrena, uma grande prova de Amor pelo filho/irmão que partiu.
    Beijinho grande cheio de luz no seu coração.
    Maria José Martins

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *