Amor Luto Saudade Sociedade Tristeza

Se soubessem…

Se soubessem como o meu coração sente…
Se soubessem como o meu corpo arde…
Se soubessem quantos momentos tenho de fraqueza mesmo apesar de rir muito.
Se soubessem como caminho tão triste por não ter o meu filho junto de mim e mesmo assim luto por si, por mim, por todos.
Se soubessem quantas vezes eu choro nos meus banhos ao ponto de me faltar o ar.
Se algum dia me tivessem dito que eu iria conseguir sobreviver à perda do meu filho, eu diria a essa pessoa que estaria louca.
Mas facto é que eu estou aqui. Cheguei até aqui.
Se soubessem quantas vezes eu o recordo num segundo, num minuto, num dia.
Se soubessem o quanto me rasgou a alma ao saber da notícia da sua partida.
Se soubessem como me sinto hoje… Meu Deus… agarrariam e não deixariam mais os vossos filhos.
Protegeriam-os com as vossas vidas.
Se soubessem quantas vezes não adormeci até ele estar seguro e em casa, até ouvir o bater daquela porta.
Se soubessem…
Se soubessem quantas vezes eu me lembro de ele ser só meu.
Se soubessem o quanto me custou tê-lo partilhado com Deus.
Se soubessem o quanto me doeu vê-lo ali imóvel.
Se soubessem quantas vezes eu luto contra o pensamento de o ter tido por tão pouco tempo.
Se soubessem como me sinto…
Se apenas soubessem como se vive num corpo de uma mãe defilhada e de alma rasgada ao meio e coração despedaçado.
Se soubessem que nem sempre me sinto forte, que muitas vezes sou mais fraca do que invencível.
Se soubessem que ele vive, aqui bem perto de mim, bem cá dentro.
Se soubessem o quanto me custa passar o dia da mãe sem um dos meus filhos.
Este irá ser o segundo ano sem ele.
Uma mãe incompleta para sempre foi no que a sua partida me transformou.
Se soubessem que eu já tive tudo e hoje… bem. Hoje… tenho muito pouco.
Se soubessem no que se transformaram os meus dias…
Batalhas, guerras internas, medos terríveis, mágoas profundas…
E no final depois de chorar lágrimas que podiam bem ser de sangue, porque na verdade é o meu coração que sangra e ninguém o vê de verdade.
Se soubessem que todas as palavras que escrevo são gritos profundos de saudade.
Se soubessem simplesmente…
Transformariam as vossas mães em heroínas, em mártires.
Se soubessem realmente, mais nenhum de vós morreria por não terem força para viver.
Porque encontrariam a força numa mãe destroçada, aquela força que falta, para conseguirem viver.
Se soubessem como os vossos pais ficam…
Se soubessem como os vossos filhos vivem…
Uma mãe não é nada sem os seus filhos.
Uma mãe transforma-se num grito profundo da alma.
Hoje não me sinto uma heroína, nem guerreira.
Hoje sou somente uma mãe frágil e debilitada.

– Rute Reis Figuinha-
A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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