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Reencontra-te e volta a viver!

Somos obrigadas a acordar para uma realidade demasiado cruel e dolorosa.

Somos obrigadas a analisar que os problemas dos outros são tão banais que nem se dão conta.

Assim como nós também não nos demos em tempos. Esta é a verdade!

Mas agora é diferente!

Depois que se perde um filho ou uma filha, nada mais parece tão difícil, insano ou amargo.

Hoje, analisando as coisas de que me queixei em tempos na minha vida, até fico com vergonha. Não temos mesmo noção da imensidão do sofrimento que é o de sermos privados de alguém que tanto amamos.

Não damos mesmo o verdadeiro valor à vida e a tudo o que faz parte dela em relação a dificuldades, obstáculos, desafios ou inviabilidades.

Hoje limito-me a sorrir quando ouço um comentário desesperado de alguém, e se tiver confiança com a mesma, a única coisa que me sai em relação à questão, é mesmo:

Calma! Tudo se irá resolver.

Isso não é o fim do mundo!

Estás viva, tens saúde, tens comida na mesa e as pessoas que amas e te amam de volta, e estão ao teu lado, então tens tudo para ser plena.

Costumamos dar imenso valor aos bens materiais, mas e ao resto? Será que somos assim tão imensamente gratos por tudo o que temos? Será que contemplamos de verdade tudo e todos os que nos rodeiam?

Eu por exemplo, tenho dado por mim a agradecer a Deus o facto de ter vivido mais um dia.

De estar viva e de acordar todos os dias com saúde.

Hoje por exemplo, de madrugada envolta do frio das 05 da manhã, regelada até aos ossos, agradecia o facto de poder viver mais um dia em memória do meu filho Pedro. Agradecia todas as estrelas no céu com as suas formas desenhadas. Agradecia e pedia clareza e energia para mais um dia sem a companhia do meu filho Pedro.

Por isso sim!

Se queres mesmo tentar ser feliz, sorrir de novo, ter novamente algo semelhante ao gosto pela vida, Tens que estar mesmo disposta a ser analisada pelos outros. A verdade é que todos vão falar, seja porque tentas te reerguer ou porque não tens mais vontade de viver. Então porque perdermos tempo do tão pouco tempo que temos para viver, preocupados com o que os outros vão pensar ou falar?

O desejo por uma vida melhor do que a que tínhamos, quem nunca o teve, que jogue a primeira pedra.

O desejo de termos os nossos filhos vivos? Que jogue a primeira pedra quem nunca o teve. Até os que os têm vivos desejam para que permaneçam assim até bem depois de nós pais morrermos.

Então porque não desejar voltar a olhar para a vida com uma atitude mais positiva do que a que tivemos ou temos, perante a morte de nossos filhos? A realidade, por mais dura que queiramos aceitar, a verdade, é que eles já não vivem mais no mundo dos vivos. Mas nós estamos! Por isso Vive!

Não tenhas medo de ser julgada porque te viram sorrir.

Não tenhas medo de ser julgada porque te viram vestir cores.

Não tenhas medo de ser julgada porque pintas os teus lábios de um batom vermelho.

Não tenhas medo de ser julgada por teres vontade de viver.

Não irás encontrar a tua verdadeira essência se tiveres preocupada com o que os outros pensam.

As pessoas irão sempre falar. Faz parte do ser humano.

Então não fiques parada! Vive! Reage! Sai dessa zona de conforto a que tanto chamamos de tristeza mas na verdade se chama de morte.

Hoje tive uma surpresa agradável que me encheu de esperança o meu coração.

Estava a sair do continente, quando sou abordada por uma jovem.

Confesso que bem no inicio pensei que se trataria de algum inquérito para responder e quando já Ia preparar a minha frase habitual, de que estou sem tempo, apesar desta vez ser mesmo real. Estava mesmo sem tempo. A jovem Beatriz, conforme a sua mãe me apresentou, queria mesmo falar comigo. O que eu desconhecia era que esta jovem era uma amiga do meu Pedro.

Sabia a pessoa que ele era e como ele se comportava diariamente e por isso tudo deixou-a perturbada e querendo entender melhor a mente humana.

Apanhou-me de surpresa! A realidade é que somente os adultos se manifestam e me solicitam ajuda para adquirirem conhecimento sobre alguns aspectos. E foi por isso que a Beatriz deixou-me mesmo de coração cheio.

Partilhou comigo que seguia a minha página Omeufilhotemasas.pt e que deste modo tinha um projecto que gostaria de elaborar sobre a Depressão nos Jovens.

Obrigada Beatriz, por fazeres valer cada lágrima derramada, cada falta de ar, cada texto escrito por mim acerca da Depressão, suicídio, tristeza e luto.

Obrigada por honrares o teu amigo Pedro, levando o teu testemunho a outros jovens que fazem parte do teu meio social.

Estarei aqui para te auxiliar no que for necessário.

Compreendem agora, porque eu não posso mesmo desistir e resignar-me em viver morta e triste para sempre?

O meu filho merece todo o meu amor e só vivendo amando a minha própria vida é possível honra-lo como ele merece.

Com um profundo agradecimento à jovem Beatriz

Com um profundo agradecimento a todas as mães que me lêem.

Com um interminável amor por ti meu Pedrocas,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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