Amor, Auto-ajuda, Esperança, Gratidão, Luto, Morte, Pais, Saudade, Tristeza

Quero!

Quero!

Querer é poder e eu quero muito sair desta tristeza que tem dias que me derruba, mesmo com os meus pensamentos cheios de vitalidade.

Quero!

Quero muito descobrir que a vida não pode ser só isto que nos mostra amargura nos dias em que nos sentimos mais em baixo.

Quero!

Quero muito e desejo voltar a sorrir como dantes, com a mesma força e carisma que definia a minha alma.

Quero!

Quero que seja possível levar a cada coração sofrido com a ausência de um filho ou de uma filha a esperança de um novo dia.

Quero!

Quero sim e muito tudo isto que acabei de escrever, mas não depende só de mim, depende de si também, abrir-se a este novo caminho de reencontro. Um reencontro de almas que juntas poderão ajudar-se mutuamente, hoje eu por si, amanhã você por mim e quando tivermos fortes, juntas pelo outro.

É isto que caracteriza o poder verdadeiro do amor, sem esperar nada em troca, e ao invés disso, dar. Permitir que o outro nos veja, nos sinta, nos entenda.

Recebo muitas mensagens, todos os dias e tento responder a todas elas com uma palavra de motivação, de esperança.

Agora mesmo, recebi uma que em muito se assemelha à minha caminhada por esta vida, que foi a de uma mãe que perdeu o seu filho de 26 anos a 23 de Maio de 2013, pelo mesmo caminho que eu perdi o meu. Entristeceu-me quando me dou conta que o meu filho Pedro nesta data em concreto estaria a dois dias de completar 13 anos, onde eu, tal como esta mãe, tínhamos tantos desejos para o nosso filho.

Nenhuma mãe concebe um desfecho destes para um filho. Nem mesmo aqueles pais que sabem e tratam dos seus filhos doentes. Ninguém concebe a morte de um ser tão maravilhoso. A morte é o último estágio que adquirimos na nossa mente.

É por isso que hoje vos escrevo este texto.

Querer é poder, e eu quero e desejo muito que cada palavra minha vos leve conforto, ou vos sirva de alerta para aqueles pais que como nós, temos mais filhos para acompanhar nas suas etapas da vida. Reforçando a força, a coragem de seguirem os seus sonhos sem que se tornem obsessões que os leve à amargura de verem e terem como a única hipótese, a Morte.

Desistir dos sonhos é abdicar da felicidade. É desistires de ti mesmo, onde perdes o teu norte e ficas à deriva, ao sabor do vento, e da chuva.

Por isso vamos lá a tentar mudar um pouco as coisas no modo de caminhar.

Aceitas? Desafio-te a tentar!

Sabes e não é novidade nenhuma para ti, que todos os dias temos oportunidades.

Escolhas que com as quais traçamos os nossos objectivos na vida e com elas o propósito é de nos tornarmos melhores do que fomos ontem.

Todos os dias acordamos com uma dádiva que nem nos damos conta, que é o de abrirmos os olhos e podermos levantar da cama e lutar.

Lutar é importante para que não sejas, nem te tornes somente um peão no meio de um tabuleiro de xadrez, em que somente te moves quando alguém se lembra de ti. E nem sempre pelas razões mais nobres.

É por isso que eu refiro tantas vezes, que evoluir é importante, não só na felicidade e nos objectivos que temos ou poderemos vir a ter, mas sim e principalmente na dor e na tristeza, de forma a tornar-se menos pesada.

Já referi, e volto a dizer que viveres amargurada, só te vai deixar mais triste ainda, vai modificar-te enquanto pessoa, vai deixar-te sombria.

Faço-vos uma pergunta mamã e papá!

Não tem saudades do vosso eu de antigamente?

Sim? Então, amanheçam para um novo dia que todos os dias recomeça e façam algo de diferente. Algo que vos transmita bem-estar. Os nossos filhos não estão mais presentes em nossa vida através da matéria, mas eles acompanham-nos espiritualmente em cada decisão que tomamos. Eu acredito tanto nisto! Que é o segredo do meu sucesso enquanto esperança e força para continuar a minha vida sem o meu Pedro.

Chorar é importante e faz-nos bem, mas não sempre! Estarmos sempre a lamentarmo-nos destrói-nos.

É como uma cárie num dente.

O dente adoece e se não for tratado, vai acabar por estragar os outros que estão ao seu lado.

Connosco é igual, a nossa tristeza influencia tudo ao nosso redor, e se estiveres mergulhada e mergulhado nessa dor profunda, somente vais encarar a vida como uma tormenta, um calvário. Não permitas que isso aconteça. Tu não te apercebes, mas primeiro começas por te afastar de todos os que te amam, e quando olhares para trás, não vais encontrar ninguém, porque a tua tristeza e agonia, destruiu o que havia de ligação com os outros que tu amavas, tal como o dente doente que não foi tratado a tempo, os outros acabaram por se afastar da tua energia negativa que te tornou numa pessoa sombria.

Faz diferente! Tenta pelo menos!

Aceita o meu desafio e pela primeira vez na tua vida, cuida de ti em primeiro lugar.

Assume esse compromisso contigo e tenta entender o que sentes de verdade e como podes alterar essa emoção de tristeza.

Não me respondas já. Medita primeiro e tenta rever toda a tua vida em alguns minutos como se de um filme se tratasse. O que mudarias? Não falo em relação à morte de um filho, porque isso todos nós o diríamos. Falo em relação ao ser maravilhoso que já foste e no que és agora.

No que te tornaste. Feliz não estás! E a morte do teu filho não podes alterar. Mas podes alterar o modo como encaras essa perda.

Pensa nisso que te proponho, não é difícil acredita. Mas somente se estiveres disposta e disposto a mudar algo na tua vida. Eu todos os dias o faço.

Um enorme abraço apertado em cada coração que se une ao meu nesta longa caminhada de saudade e constantes desafios.

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas.

 

 

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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