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Quando pensas não ser nada

O que dizer não é?

Perante um jovem que vive agoniado com os seus afazeres diários, onde chega ao final do dia sem ânimo para continuar. Assim vivem os nossos jovens hoje em dia com a maldita depressão. Não é só permanecerem tristes, é viverem mergulhados num fosso sem energia nenhuma em que os pensamentos são todos eles negativos e rondando somente o desejo da morte.

A depressão é muito mais do que somente um estado de tristeza. Acreditem quando vos digo, que a depressão rouba-te tudo. A tua vontade de lutar, a tua vontade de sorrir, a tua vontade e capacidade de amar. Ela rouba-te os teus sonhos, as tuas ambições, o medo de falhares.

É irónico, mas a depressão dá-te a maldita coragem para actos impensáveis. Quanto mais leio acerca deste assunto terrível, mais me dou conta que somos todos uns sobreviventes. Nunca vamos ter tudo o que gostaríamos, nem nunca vamos estar completamente realizados perante os nossos desejos. Quem o assume não está na verdade a ser justo consigo mesmo. Todos nós queremos sempre mais alguma coisa. Temos isto e queremos aquilo.

Não quero com isto dizer que vivemos infelizes. Diria mais, que vivemos insaciados.

A depressão leva-nos a perder o interesse pelo que gostamos normalmente de fazer, perdas de apetite, sonolência, ou insónias, gerando assim alterações no sono. Podemos sentir que estamos cansados o tempo inteiro. Tendemos igualmente a isolar-nos de tudo e de todos. Passamos a viver somente dentro da nossa caixinha negra que é a nossa consciência.

Hoje falo de todos estes sintomas com uma abordagem diferente. Falo-o na primeira pessoa.

O meu filho foi vencido pelo seu estado de depressão.

A pessoa que está depressiva, sente-se quase sempre com a auto-estima em baixo, desvaloriza-se a si mesma e justifica sempre os seus insucessos como sendo inferior aos outros. Pensa somente não ser capaz de atingir tal objectivo.

Por outro lado quando o seu ego é enorme sente-se derrotado. Vive demais aquele desejo que não consegue reagir a mais nada a não ser ao seu único objectivo, tornando-se assim doentio.

Acreditem quando vos digo, que os nossos jovens não ouvem mesmo o que os pais lhes dizem, a melhor resposta deles é a de que a mãe ou o pai não contam para esse tipo de avaliação. É como se tratasse daquela antiga fábula da cobra e da coruja enquanto falavam dos seus lindos filhos. A coruja pedia à cobra para que quando passasse no seu ninho e lá encontrasse os seus lindos filhotes corujas, que não os comesse porque eles eram lindos. O problema, é que a cobra achou as corujas pequenas tão feias que os comeu na mesma. E os nossos filhos são iguais. Por mais que lhe digamos que vão conseguir, que são maravilhosos, que são lindos entre outras coisas. Não basta! A nossa palavra não basta!

Os sonhos são muitos. O tempo é reduzido, a ambição enorme, e a realização nem sempre é alcançada. Tudo isto gera uma enorme confusão, onde infelizmente só encontram a solução  de colocar um termo à vida através do suicídio. Esquecem-se que esta é a única saída sem retorno. É o único ponto final que não permite a continuação da vossa história, para além de ser uma terrível conclusão para um problema que vocês pensam ser permanente, quando na realidade é somente transitório. Já vos falei em outros textos, que somente a morte é um estado permanente aqui no plano terrestre. E que enquanto respirarmos e tivermos vitalidade, devemos lutar com todas as nossas forças para combater esses fantasmas que nos e vos assaltam. Devem de pedir ajuda. Vocês sabem quando a pedir. Têm mesmo que ter força para pedir socorro e permitirem-se ser ajudados. Eu adoraria estar errada sabiam? Mesmo de coração! Gostaria de não ter acertado em nenhuma conclusão. Já o disse anteriormente, mas retiro o que disse. Eu afinal conhecia bem demais o meu filho! A única coisa que com toda a força da minha existência me atormenta, é de nunca ter suspeitado da sua vontade de morrer. Nunca por um só momento ele me verbalizou tal palavra. E lamento-o profundamente.
De resto, dei-lhe mesmo tudo o que uma mãe pode e deve dar. Estive sempre lá para ele.

Até no seu fim, fiz tudo o que ele desejou. Fico imensamente feliz e horrorizada por dentro. Ele está agora onde sempre quis estar.

Amo-te muito meu amor e sinto demais a tua falta física.

Com uma terrível dor no meu peito,

A mãe do meu filho tem asas.

Foto de Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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