Luto Morte Pedro Tristeza

Quando olhas para mim, o que eu vejo é isto.

O que está por trás de um olhar, que ninguém vê a não ser quem caminha no processo do luto, é muito mais complexo do que vocês podem imaginar.

Acredito verdadeiramente no que vos vou dizer, porque vivo-o todos os dias. Depois, que tu perdes alguém, e em especial um filho, as pessoas passam a olhar para ti de um modo diferente.

O que eu quero dizer com isto?

Quero dizer que nós sentimos a forma como nos olham e nos tocam.  “Com pena, e desejando nunca passarem por tamanha perda!”

Ou então com total indiferença, e mesmo assim resolvem nos abraçar e beijar.

Ainda esta semana, me cruzei com uma mãe numa loja, uma mãe que me pediu para me dar um beijinho, uma mãe que inspirou fundo e me abraçou, sem conseguir proferir uma só palavra.

A pena estava lá estampada no seu rosto, esta mãe ficou emocionada somente em me abraçar. Esta mãe não conseguiu dizer-me nada!

Querem saber?

Nem eu!

A verdade é que a mim também me faltam as palavras, cada vez que me abordam. As palavras teimam em sair e parecem-nos não fazer sentido nenhum. Não encontramos lógica nas mesmas, porque a realidade está lá!

“Todos os dias a dizer-nos que o nosso filho morreu e não há nada que possamos fazer para o trazer de volta.”

Viver este papel, e desempenhá-lo perante a sociedade, é mesmo muito complicado para não dizer quase impossível! Mas a realidade é que de impossível não tem nada! Porque ele surge-nos como uma avalanche sem questionar primeiro se o aceitamos, e se iremos ter a capacidade para gerir todos os momentos.

Por mais que nos custe a aceitar, é mesmo um papel que ninguém está livre de representar na “curta metragem” à qual apelidamos de vida.

Mas ninguém o quer! atrevo-me a dizer que é o único papel que esperas nunca ser “contemplada” com.

A esta mãe só me resta agradecer, pelo momento, que embora curto foi sentido por ambas. Tenho a certeza! A mim, não me passou despercebido aquele gesto, e é por isso que lhe agradeço.

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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