Luto Morte Pedro Saudade Tristeza

Perante a dor e sofrimento, não temos nada.

Não somos nada!

Perante a dor e sofrimento, não temos nada.

Tudo nos é roubado quando sofremos um choque deste tamanho.

Tudo passa a ser desejado sem haver uma realidade consumada.

Não passam de sonhos, vontades aniquiladas pelo tempo e pela saudade do nosso filho amado ou a nossa filha adorada.

A morte tem mesmo destas tramas que nunca mais conseguimos desatar o nó que nos prende à saudade gerada com a morte de um filho.

Passaram 8 meses e parece que nem vivi realmente nenhum dia desse tempo.

Tem dias que sinto que vou vivendo porque respiro. Nada mais.

Tem dias que penso que este lugar já não me pertence. Não tenho mais paz no meu coração.

O silêncio da voz do meu Pedro deixa-me arrasada. Tento escutar seu timbre, suas risadas com o meu coração e é por isso que vou recordando, uma vez que é a única coisa que me resta nesta vida de ilusão, as suas filmagens, a sua voz gravada, as suas brincadeiras comigo.

Fico sem ar, chego a sufocar de tanta agonia. Os pensamentos não me deixam e revivo todos os dias, os bons, os maus e os terríveis. Como se só na minha frente estivesse uma grande tela onde é constantemente projectado tudo o que o Pedro viveu.

Sinto que vou morrendo aos pouco todos os dias.

Hoje sinto-me assim, ou serão todos os dias que têm esse mesmo efeito em mim.

Não sei!

Não sei mais nada desde que o meu filho morreu.

Com uma enorme tristeza, e o coração rasgado ao meio, morro de saudades tuas meu amor porque não te vejo mais, não te toco, não te beijo, não te ouço, não te contemplo, porque tu eras para mim um diamante bruto com um valor incalculável, um ser humano fantástico, lindo e maravilhoso, por dentro e por fora.

Amo-te Pedro e hoje não estou em mim.

Despedi-me do meu corpo, desta carcaça velha e fui. Parti.

Não aguento mais olhar-me no espelho e não me reconhecer.

Apenas ficou um invólucro rasgado pela dor profunda de não te ter mais aqui.

Amo-te, e amar-te-ei para sempre minha rocha, meu amor.

A Tua mãe,

A mãe do meu filho tem asas

Foto de Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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2 Comments

  1. Graça Meireles says:

    Minha querida conterrânea na dor
    A especificidade desta dor, não permite ser curada.
    Ficamos inertes a tudo o que nos rodeia.
    Algumas das descrições que consigo ler para o meu estado são todas na base duma vida sob a forma vegetal, robotizada, sem ter a quem dar aquele AMOR direcionado a quem demos à luz.
    Terrível e irreversível sensação e constatação…
    Eu somente tenho Cartão de Cidadão, mas na realidade não existo…
    Limitemo-nos a por cá andar…
    Já nada é problema para mim, para além de não ter espaço para ele, é sempre tão insignificante perto do terramoto por que estou a passar!
    Deus nos guie
    Beijinhos para ti Rute e para os nossos ETERNOS MENINOS.
    GRAÇA MEIRELES

  2. Vera Colautto says:

    Todos os dias somos arrebatadas na dor,saudades sem fim isto um dia vai se encerrar poderei ve- lá novamente minha filha amada.

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