Luto, Morte, Saudade, Tristeza

Para si Mãe Rosa

Abrir mão de alguém que tanto amamos não é decididamente tarefa fácil.

No entanto quando essa perda é permanente em todos os espaços temporais e físicos, é terrível demais.

Tenho escrito e falado muito acerca disto como muitos de vós já sabeis, dos meus textos anteriores desde o falecimento do meu filho Pedro a 24 de Maio de 2019.

Ontem estabeleci contacto com uma mãe que se tornou defilhada há apenas 6 dias.

O seu querido e tão amado filho faleceu no dia 25 de Maio de 2020, no dia em que precisamente o meu filho Pedro completaria 20 anos de vida.

Esta mãe está desesperada, completamente perdida como todas nós já tivemos bem no inicio da nossa caminhada no luto.

Querida mãe, deixe-me dizer-lhe que o dia 25 de Maio foi sem dúvida o pior dia da sua vida. Dos seus braços foi-lhe arrancado um ser tão maravilhoso quanto um filho é para nós. Neste momento é o tempo de gritar, chorar, de ficar em silêncio, de falar com o seu menino.

É tempo de o recordar! Lembrar todos os momentos bons que viveram juntos, todas as gargalhadas, todos os aniversários, brincadeiras que tinha com ele em criança e mesmo depois de adulto. É tempo de conectar-se com o que já pertenceu um dia ao seu filho. Todos os seus pertences, roupas, objectos pessoais, fotografias.

Querida mãe, sei igualmente que você pode não ter a força necessária para processar tudo isto de uma vez.

Todas nós somos diferentes, e não existe uma forma correcta de se passar por todo este processo. Todos precisamos do nosso tempo e devemos levar o nosso ritmo a processar esta enorme perda na vida de qualquer pai.

Afinal a mãe passou 15 meses da vossa vida a lutar pelas melhoras do seu menino sem ter o resultado que tanto ambicionava.

Eu não sou detentora da verdade mas, no meu modo de caminhar eu agarrei-me à fé.

Não falo de uma fé Religiosa!

Falo da fé do amor.

Acredito que o meu filho vive em outro plano e que me visita sempre que pode, enviando-me sinais, dos mais diversificados que pode imaginar.

A fé no amor apresentou-me este caminho.

Um caminho onde eu posso partilhar a minha dor, de uma forma saudável, processando assim o meu luto, a saudade, o medo e todo o meu sofrimento.

O que eu lhe quero dizer com isto é que não se deve fechar na sua dor.

Toda a negatividade do luto deve ser expelida do seu coração, com tempo e  sem pressas. É muito importante que transforme-mos a nossa dor em paz.

Como?

Relembrando! Porque recordar é viver, e na realidade, deixe-me partilhar consigo uma frase que tenho ouvido muito ultimamente que era proferida pelo meu filho Pedro em vida.

«Recordai-me!

Só morre, quem é esquecido!»

Neste momento é tudo muito recente!

Neste momento a mãe nem vai conseguir entender as minhas palavras.

Neste momento a sua revolta é enorme e é mesmo o tempo dela.

Viva-a!

Revolte-se! Grite! Chore!

Mas, deixe-se sempre ser envolvida pelo amor.

O amor é a base fundamental para sair de todo este processo, a seu tempo, com uma sensação de paz e tranquilidade.

Agradecendo o facto de ter sido contemplada com o seu filho em sua vida e com ele ter aprendido o verdadeiro significado da palavra Amar!

Ontem referi-lhe e hoje refiro novamente.

Estarei aqui, principalmente quando você já não tiver mais ninguém ao seu lado para poder chorar.

Não os condene!

A dor é sua!

E ninguém vive a morte do mesmo jeito.

Com um enorme carinho e um abraço muito apertado com a esperança de lhe transmitir algum conforto,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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