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“Para onde foste?” de Christina Rasmussen

Hoje dormi mal, hoje tudo em mim está mal ou sem energia.

Digamos que estou como o tempo, Chuvoso, negro, com o sol encoberto, como a minha luz interior. Hoje a minha energia não me aquece.

Dormi mal. Passei a madrugada toda a ouvir gatos assanhados uns com os outros. Ainda me tive que levantar e ir ao quintal de vassoura na mão para os afugentar. Não foi preciso, assim que me sentiram acabaram com a discussão.

Voltei para a cama e já não dormi mais, apenas dormitei, sonhei mas não me lembro com clareza do sonho. Pensei diversas vezes em ti filhote, e falei mentalmente contigo enquanto olhava para a tua vela acesa.

Sinceramente nem sei que horas eram, não tive coragem para olhar, mas sei que seria inicio da madrugada, para não variar.

Comecei um livro novo, desta vez de Christina Rasmussen com o título “Para onde foste?”

Não procurei por este livro, para vos ser sincera, foi este livro que me escolheu a mim. No dia que saí com a minha amiga Cláudia, enquanto passeava-mos por entre os livros, este acenou-me. Mentalmente disse-me “leva-me! Irás querer me ler.”

Confesso que ainda resisti, mas depois dediquei uns minutinhos a perceber do que se tratava mesmo o livro e confesso que me deixou curiosa e na expectativa de te reencontrar mais vezes. Mas não vou ficar aguardar que me procures, eu mesma te irei procurar tantas quantas vezes sentir vontade de estar contigo, sem que para isso tenha que morrer.

A Christina fala do” Mundo templo”, que é na realidade a “fonte” em que outros livros que já li, se debruçam. Ela também perdeu alguém que amava muito, o seu marido. E também ela sentiu a necessidade de o reencontrar sem que tivesse que experimentar a quase morte. Então estudou e leu muito até conseguir através da sua energia conectar-se a ele.

Existem muitos testemunhos reais de pessoas que já alcançaram o “Mundo templo” através dos exercícios que a Christina partilha no seu livro. Então porque não tentar? Já me é possível tanta coisa, sem fazer nenhum esforço, por isso resolvi embarcar nesta aventura.

Não enlouqueci, só acredito na energia que nos envolve, na energia que todos somos, acredito na vida após a morte ou devemos mesmo dizer, vida após vida?

Os mais cépticos irão permanecer cépticos e com as suas opiniões generalizadas, mas a vossa opinião apesar de respeitar, não me interessa para nada nem me irá demover do que eu acredito. E crer é poder! O que aqui escrevo, é somente uma partilha ou um desabafo, não busco consentimento nem entendimento nas minhas palavras. Deste modo sintam-se à vontade para não ler até ao fim, ou simplesmente abraçarem esta descoberta que hoje é a minha realidade, mas amanhã pode ser a vossa. Já vi e li muito acerca de cépticos ficarem rendidos à realidade que os coloca a eles como personagens principais de suas histórias familiares.

Por isso irei continuar a ler e a escrever sobre o que encontro e como isso muda a minha forma de encarar a morte do meu filho e de como me coloca mais próxima dele. Porque uma coisa vos garanto, desde que comecei esta minha jornada, apesar de não o poder tocar, abraçar, sentir, beijar, sei que ele está sempre presente na minha vida, as suas manifestações de amor, tem-me provado isso. E se o que me basta é estar mais tranquila, e mais receptiva, então é assim que viverei. O meu Pedro vive em mim e enquanto eu o relembrar ele não será somente mais um dado na estatística do suicídio. Acima de tudo ele será sempre o meu filho de quem eu tenho e sempre tive um orgulho extremo. E mesmo hoje, quando sei que ele apesar da sua tristeza, evitou que outros jovens se matassem, enche o meu peito de amor e todo o meu corpo vibra envolto dele.

Amo-te Pedrocas e tenho imenso orgulho de ti meu amor.

Com carinho e saudade,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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