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Pais defilhados são seres únicos

Os pais defilhados ficam esquecidos na sociedade.
Ninguém fala deles de verdade a não ser para os cercar com todas as dúvidas e criticas, de como se devem comportar perante a perda de um filho. Um filho que não é deles. Um filho que é unicamente nosso.
A todo o instante são-nos exigidas tarefas que custam desempenhar, porque a nossa mente fica ocupada com pensamentos de saudades, que reportam a um tempo que já não é nosso, já não é meu.
Queremos muitas vezes reagir, mas fica difícil de combater a dor que nos cerca, e a saudade que nos bate, com uma força interminável dentro do peito. Mas não é uma força de coragem. Antes fosse. É na verdade uma força de desespero, agonia e tristeza. Procuramos e cercamo-nos de outros pais que nos compreendem para que não nos sintamos tão sozinhos o tempo inteiro. Nem mesmo a nossa família nos compreende. Nem mesmo a nossa família nos acolhe. “Há! Já passou tanto tempo e tal… Já está na hora de reagires!” – Ignorantes, são o que sois! Pai nenhum esquece! Pai nenhum sente o tempo, como vocês o veem.
Em todo o processo, com certos pais defilhados, encontramos o apoio necessário, enquanto que com outros, vimos demasiada dor, que nos afastamos, ou por outro lado, somos afastados por eles, porque não se identificam com o nosso processo de luta neste caminho de reencontro com a vida. O deles ainda é demasiado penoso. É que na verdade, nem todos processamos o luto da mesma forma. Em pais, onde eu vejo presente uma agonia tão profunda, em que morrem todos os dias um pouco, sinto a necessidade, de ter sempre um pé atrás. Não por despeito. Mas por medo. Simplesmente porque o medo e a agonia fazem-me ter receio, que me arrastem com eles. Não o fazem por mal. Fazem-no por necessidade. E eu não o faço por mal. Faço-o por sobrevivência. Mas a verdade, é que para os pais que já iniciaram o processo de renascer, a sua energia é canalizada como forma de sustendo à própria alma. E eu por experiência própria, noto, o tom de uma palavra falada ou escrita, como forma de reprovação, no preciso momento, em que os incentivamos à vida. E eu não quero! Não posso! Não consigo voltar a sentir-me assim tão morta por dentro. O amor que descobri, não me deixa mais voltar àquele tempo de gelo, de total ausência de amor próprio, onde eu também desejei desistir. Mas eu prometo, que não desisto de vós! Vou ao vosso passo, até conseguirmos, juntos.
Deixa-me imensamente feliz e satisfeita quando encontro na minha caminhada, outros pais que pensam e agem como eu. Fico contente por não me sentir única, sendo eu uma imagem de contestação perante os pais mais profundamente doridos, mais agastados. Eles reagem de forma menos positiva, tal como eu reagi ao início, e não é segredo para ninguém. E é, unicamente por isso que os entendo e apoio, enquanto me permitem fazê-lo. Se me magoam? Sim! Mas eu também os magoo, com o que escrevo, ao não estar ao mesmo nível de compreensão, perante a dor e luta diária, a que somos obrigados a reagir. A que somos impostos! O meu caminho faço, o melhor que sei e posso e eles também. Criticar? Não! Julgar? Não! Apoiar sempre? Sim! Estarei sempre aqui enquanto me permitirem lutar ao vosso lado.
Estes pais, ainda não encontraram o caminho, onde o amor é a solução e onde nos ensina verdadeiramente a sobreviver.
Existe mais vida para ser vivida!
Não acredito que tenham desistido verdadeiramente de vós, desse ser maravilhoso que todos sois. Esse ser maravilhoso que os vossos filhos ou filha idolatrava e gritava ao vento que eram vossos.
Se nos fosse possível visualizar os nossos filhos no plano celestial, poderíamos ver tantos anjos, torcendo por cada um dos seus pais, incentivando-os a viver. Incentivando-os a lutar por melhores dias, por novos sorrisos, novos despertares de vida que podem ser maravilhosos e diversificados. Poderíamos ver eles, chateados connosco, quando desistimos dos nossos sonhos, dos nossos projetos, das nossas vidas, só porque eles regressaram mais cedo. Eles regressaram a casa, e um dia iremos nos juntar a eles. Mas por agora… Ainda existe uma vida para ser vivida.
Vive Mãe! Vive Pai! Vive Mano! Vive mana!
Permitam que a luz e o amor, voltem a entrar no vosso coração.
– O meu filho tem asas – Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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