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Os pais também sofrem!

Ontem conheci o Hugo!
Um pai defilhado que vive mergulhado na sua saudade pela tão doce Catarina.
Vi-me em cada descrição que ele fez da sua caminhada perante a saudade e a dor que carrega no seu coração.
E por isso escrevo hoje este texto com uma profunda admiração.
Admiração por um pai que fala abertamente da sua saudade terrena, amando incondicionalmente a sua menina anjo.
Um pai que tem sonhos ainda a realizar.
Promessas feitas à sua menina Catarina.
Nem todos os pais conseguem falar.
Nem todos os pais conseguem chorar na frente de outros seres.
Mas o Hugo chorou.
O Hugo lamentou.
O Hugo partilhou a dor que o consome no seu dia a dia e que não desiste da vida em homenagem da sua doce Catarina.
Com os pais é mais difícil.
Dificil porque se fecham no seu mundo de dor e não deixam ninguém entrar nele.
Sofrem calados.
Sofrem amargurados.
Sofrem uma dor atroz e todos pensam que com eles é diferente, só porque as mães gritam ao mundo a sua dor e os pais gritam à alma que vive aprisionada dentro deles.
Este pai ainda está em grande sofrimento.
Com quase dois anos do nascimento da sua menina no mundo espiritual, mas ele continua.
Todos os dias um pouquinho mais.
Porque a doce Catarina vive dentro dele, em cada sorriso, em cada palavra, em cada saudade.
A Catarina queria ser bailarina!
Mal sabes tu querido Hugo que a tua menina dança rodeada de tantos anjos puros como ela. Mal sabes tu que em cada movimento da sua energia ela fortalece todos cá na terra.
Todos os pais defilhados deviam conseguir libertar a sua dor, vivendo pelo amor, vivendo as memórias.
Desenhando a sua história em lindas folhas de papel.
À medida que este pai rodeado da mãe Sonia, da mãe Manuela e de mim, falava, ele ia sem saber acrescentando energia à sua alma.
Bem quase no final da nossa conversa, ele disperta para algo que havia encontrado da sua menina com uma frase escrita por ela e questionava se seria um sinal.
É sim querido pai!
Um sinal da doce Catarina.
Um sinal de amor enviado diretamente do reino do céu, para que não desistas de desenhar a tua história, aquela em que outros pais e outras mães se apoiarão e terão como exemplo em sua jornada.
Durante toda a nossa conversa vi um homem frágil, um homem doce, um homem que perante a sua total impotência quer acreditar que ainda pode fazer muito por ele, sempre com a doce Catarina no seu coração e na sua memória.
Partilhou comigo ainda ser muito difícil.
Partilhou comigo ainda se sentir bloqueado.
Mas o amor que ele têm é maior do que a sua dor, porque ele sabe bem dentro de si que a sua doce menina vive do outro lado.
É por isso que eu hoje vos escrevo esta pequena história.
Porque os pais sofrem demais.
Os pais têm medo do mundo lá fora.
Os pais sentem tanto ou mais a falta de apoio de uma sociedade que exige deles forças que muitas vezes lhes falta.
Porque a sociedade não pára!
Porque as horas, os minutos e os segundos continuam mesmo perante as nossas saudades.
Porque nos relacionamos com jovens todos os dias e vemos neles parte dos nossos anjos.
A saudade é tanta, que por vezes num simples sorriso, na cor do cabelo, na roupa que vestem, numa gargalhada que ouvimos, num projecto que alcançam, vemos na verdade parte dos nossos filhos vivos.
E não conseguimos evitar que essa realidade no magoe tanto.
Desejo a todos os pais a energia e a coragem de falarem abertamente da vossa dor, da vossa luta diária.
Para muitos que pensam que o pai se levanta mais rápido do que uma mãe perante tão grande tragédia, estão profundamente enganados.
Os pais sofrem sozinhos e calados.
Os pais são capazes de viver toda a vida em negação.
Eu sou mãe!
Mas sei bem do que falo.
Também tenho um pai em casa e o meu ficou em pausa.

Com carinho e um enorme beijinho,
Da mãe do meu filho tem asas.

– Rute Reis Figuinha –

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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