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Os meus momentos na vida perante o luto

Onde me encontro?

No alpendre de minha casa apanhando uns banhos de sol bem merecidos. Posso dizer que é o primeiro dia em semana e meia que tive uma manhã serena e mais relaxada.

O que muitos de nós não se dá conta é que todos precisamos destes momentos para carregar energias. Momentos onde podemos ler um livro, escrever um texto sobre a nossa vida, ou simplesmente não pensar em nada.

Sinto-me abençoada por este momento.

Quando observo o calor vindos dos raios de sol a minha alma agradece o calor que inunda o meu corpo e me dá energia e força para continuar. em tudo o que tenho vindo a ler desde a morte do meu filho Pedro, há algo que não me deixa desistir e resignar-me. Constato que o caos da vida não é a morte, mas unicamente permitirmos-nos que tudo morra em nós enquanto estamos vivos. E é por isso que eu não desisto.

Embora me choque o termo “as coisas más que te acontecem serve, como lições de vida onde te permitem evoluir” a verdade é que fazem sentido.

Ninguém está à espera que a morte de um filho seja uma lição de vida, mas a verdade é que somente nós podemos retirar desse horrível acontecimento uma lição para a vida. Somente nós podemos decidir o que fazer com essa privação. O que de verdade esse ser maravilhoso nos ensinou? Que marcas nos deixou ele que possamos utilizar no nosso modo de caminhar? Se devemos ficar inertes perante a mesma, levando os nossos restantes dias de vida mergulhados na dor e escuridão, ou pelo contrário, reagir.

Enaltecer a vida de quem partiu com as suas memórias e ensinamentos porque quer acreditem ou não, eles estão lá.

Só precisamos de abraça-los com o nosso coração.

Tenho evoluído!

Tenho evoluído na dor, não me custa hoje menos a morte do meu filho mas, sou obrigada a reagir. Sei que muitos de vós não pensam assim e é legitimo que o façam, afinal o processo na dor pela perda de um filho ou de alguém muito importante em nossas vidas não é simplesmente algo que se possa ligar ou desligar como se de um botão se tratasse.

No outro dia falava com um amigo de infância que perdeu muito recentemente a sua filha Margarida para a luta do cancro, onde ele me colocava a questão, “doi mesmo. Não é?” e onde eu respondi afirmamente.

É uma dor que muitos sentem e poucos conseguem digerir no tempo necessário. Mas, é possível com todo o amor que sentimos pelos nossos anjos.

Amo-te muito Pedro, mas a forma que encontrei de te honrar e homenagear é não desistindo de mim, porque sei que deste modo não estarei desistindo de ti.

Com uma enorme saudade e um amor interminável,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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