Amor, Esperança, Gratidão, Luto, Pedro, Saudade, Tristeza

Obrigada Otília Mota

Mais um texto de Otília Mota, uma senhora que tem sempre uma palavra para nos dar a nós mães defilhadas.

Partilho-o na página que criei em homenagem ao meu filho Pedro, porque o meu nome consta no texto e acima de tudo a descrição da minha alma.

Gratidão Otília

Beijinho grande

 

Otília Mota

 

<<O Natal de quem carregou no ventre uma alma que hoje é uma estrela no Céu

Noite de Natal. Tive o privilégio de uma noite feliz porque ainda tenho quem mais amo junto de mim. A família, prendas, sorrisos à volta da mesa. Calor humano. Durante o dia, mesmo demasiado ocupada, não deixava de pensar na noite de Natal das mães/ pais de tantas estrelas. Sabia do seu coração apertado. Queria apertar cada um nos meus braços. Dizer-lhes que compreendia a sua dor. Com o tempo aprendi a não fazer a dor dos outros a minha dor, para os poder ajudar. Mas a dor dos outros não deixa de me magoar. Aprendi a ficar triste, mas não ser uma pessoa triste. Sou mais precisa assim para ajudar a tornar a dor dos outros mais leve.

Tantos desabafos de alma . ” Que a noite passasse rápido”, “Que esta época não existisse,” Gostaria de adormecer e só acordar em janeiro”. Para estes pais o Natal perdeu o sentido. A magia se foi no dia que seus filhos voaram ao Céu. Não apetece festejar. Não querem. Há sempre um lugar vazio. Falta sempre um pedacinho seu. Cansadas. Desiludidas. Mesmo rodeadas de gente, sentem solidão. E há as que se querem mesmo isolar, esta noite. Há sempre uma dor presente. Há as que colocam a foto do filho na Árvore para que todos sintam que continua a fazer parte da família. São tantas, meu Deus! Tantas! Há a São, a Belmira, a Célia Ramos, a Daisy Maciel, a Lourdes, a Elvira Costa, a Cristina Sousa, a Cristina, a Luísa Guerra, a Paula, a Sandra Gonçalves, a Avelina, a Cândida,a Maria João Tropa, a Silvia Maurícia Russo, a Angelina, a Clara Alves, a Elisa Sampaio, a Sandra Lima, a Lúcia Cabral, a Isaura, a Dulce, a Ana Mestre, a Vanessa Pedro, Alice Ribeiro,a Vânia Pereira, a Silvia Isabel Cavaleiro, a Cesaltina Camacho, a Marisa Mota, a Glória Calisto,a Ana Santos, a Sandra Rodrigues, a Blanco Léon Cristiane , a Marta, a Cristina Sousa, a Carla Isabel, a Isabel Pinto, a Gislaine, a Linda, a Olga Ramos, A Neuza , a Telma Fernandes, a Susana Moreira, a Isabel Teixeira , a Paula Machado, a Célia marques, a Maria José, a Elisabete Duas, a Maria José, o Alcino e Fernanda Monteiro, a Bela Laras, a Maria Luísa,a Ana Fernandes, a Sandra Carlos, a Filomena, a Manuela, a Maria da Luz, a Mafalda Ventura, o Carlos, a Alice Ribeiro, a Teresa Lameiras, a Maria João , a Joaninha Oliveira, a Ana Ribeiro, a Manuela Castro, a Manuela, a Sofia, a Fátima, a Nilde, a Luísa, a Ana Coentro, Conceição Faria,a Marlene, a Vitória,a Sônia,a Armanda, a Júlia, a Francisca, a Marlene Silva, a Albertina, a Jacinta, a Angela Abreu, a Ana Costa, a Luísa,a Alina, a Maria da Graça, a Freda ( avó), a Daniela, o Bruno Oliveira, a Claudia Vilela, a Dulce, a Isaura, a Jacinta, a Rosa, a Daniela, a Rute Reis Figuinha, a Neuza, a Teresa Lameiras, a Paula Lourenço, a Maria José Moreira, a Claudia Vilela, a Cristiane Calado, a Márcia Ferreira, a Ana Machado, a Goretti Pedrosa , a Isabel Brites, a Fátima ( homenagem Ana Quintela)’, a Adelaide Lima, …Há tantas mães com o coração a sangrar. Uma noite de Natal diferente, mas igual para todas elas. Todas viveram a noite apenas com a tatuagem ” dor e saudade”, gravada no coração. Há sempre um lugar vazio à mesa.
Uma mãe ama o filho mais que a própria vida. Uma mãe morre no dia que o filho voa ao céu. Precisa renascer. Precisa de descobrir que a estrada não acabou. Foi uma pedra que encontrou no caminho que a magoou no mais fundo da alma e a fez cair. Precisa de levantar-se de novo. Mas é difícil voltar a encantar-se com a vida quando se vive ” amputada”, desiludida, de coração sempre magoado, quando se vive do doloroso vazio da saudade do filho que cá já não está. É difícil voltar a sonhar. É difícil continuar a viver sem poder abraçar o filho seu e sentir o cheiro doce da sua pele e o gosto dos beijos mais puros. Sentem vontade de ficar ali no chão com a sua dor. Mas, mesmo com dor, continuam a sobreviver ( a viver ainda precisam de tempo).
Não lhes digam para esquecer e que a vida continua. Elas não querem esquecer. Querem os seus meninos bem presentes no pensamento e no coração. Não lhes digam para ter força e coragem. Elas são a força e a coragem a que a vida as obrigou. Não julguem a dor delas. Só mãe de estrela conhece a sua dor. Não sintam pena. Elas só precisam da nossa compaixão, compreensão e amor.

Que a partida destes anjos não seja em vão. Deixaram-nos uma lição de fé, amor e esperança, contida nas mensagens profundas da Diana e da Luna.

Mãe/ pai de estrela
Pelos vossos filhos, nunca percam a esperança! Nunca deixem de acreditar! Nunca desistam de sorrir! Vivam com o amor que ficou. O que é nosso nunca vai para sempre. Continuem ao longo da estrada, vivendo das doces lembranças que vos dão alento para continuar a acreditar.
Deixem que a vida vos dê novamente a mão para recomeçarem a viver de novo.

Quando chegar a noite, procura uma estrela no céu, chama-a pelo nome do teu anjo e sorri! Acalma a alma.

Eu dou-te a minha mão para que sintas que não estás sozinha na dor.
Dou-te a minha mão para que sintas o meu afeto.

Com carinho
Otilia Mota>>

Com um agradecimento sincero,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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