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O teu primeiro aniversário sem o mano Pedro.

Como já vem sendo tradição, esperamos todos pelo inicio do dia 13 de Abril de cada ano, e precisamente às 00:07, vamos todos ter contigo e cantamos-te os parabéns e beijamos-te muito.

Uma tradição que vem sendo cumprida desde o nascimento do teu irmão Pedro e que continuou com o mano David e depois contigo.

Este não é de perto nem de longe um aniversário que eu tenha idealizado para ti. Seja pelo vírus que anda pelo ar a derrubar o ser humano, seja pelo facto de já não teres mais o teu mano Pedro para te mimar.
Quem diria que no teu nono aniversário irias estar privado da companhia do teu irmão Pedro, das suas brincadeiras que sempre te faziam dar as tuas gargalhadas que ecoam no vento.
Nem de perto nem de longe eu imaginei um aniversário assim, onde só tens a mãe, o pai e o mano David para te agraciarem e mimarem neste momento de festa.
Prometi proteger-te sempre, mas falhei. Não consegui evitar o teu sofrimento perante a falta do mano Pedro.
Não consigo evitar que te tenha de proteger mantendo-te fechado em casa por causa de um vírus que paira no ar e que de nenhuma forma quero que chegue perto de ti.
Meu amor, o meu único poder é o de te amar com a mais sincera intensidade que eu posso comportar. Espero e desejo que seja o suficiente para que de alguma forma apazigúe a tua dor e a saudade que sentes do mano Pedro.
É doce o teu carinho quando tu, todos os dias, enquanto te aconchego na cama, tu me dás aquele abraço em que com a delicadeza da tua voz, me sussurras ao ouvido…“este abraço é do mano Pedro”.
Um ser tão pequeno e ao mesmo tempo tão sensível à dor que permanece dentro do coração da tua mãe.
Já me tinham dito que eras muito especial. Se não tinha dúvidas na altura, agora muito menos as tenho.
És parte do motor que mantém vivo o meu coração. És uma das melhores obras de arte divina materializada num maravilhoso ser humano.
Desculpa se não te consigo dar mais meu amor. Queria muito dar-te o mano, mas não está ao meu alcance esse desejo. O que te posso dar é o meu amor que tentará a todo o custo minimizar a falta que o mano Pedro te faz. O Pai, a Mãe e o mano David, amam-te muito e estarão cá para te proteger, cuidar e amar.
Este ano não consegues para já ter uma festa onde podes brincar com os teus amigos, mas não a colocamos inteiramente de parte. Quem sabe mais tarde não a conseguiremos realizar, depois do Coronavirus terminar.

Um bolo, uma vela, foguetes, um nove em balão na parede e a tua garrafa de champanhe, acompanhado do teu presente que tanto gostaste, bem como dos nossos abraços e beijos que desfrutaste, assim foi a tua festa este ano. Sem amigos, sem familiares próximos. Confesso que por momentos fiquei triste por não ter ali o mano Pedro, para nos acompanhar neste festejo, e tentei aguentar o nó na garganta para não chorar. Afinal tu dizias: “Hoje é o meu dia de anos, não vamos ficar triste por favor”. E no meio de toda aquela agitação de tentarmos imortalizar o momento com a praxe da fotografia, para mais tarde recordares, surges do nada com o pensamento que faltava uma coisa na nossa mesa. Eu soube logo do que se tratava e comentei com o pai e com o mano David, e em nada me enganei. Foste buscar a fotografia do mano Pedro que estimas com carinho na tua mesinha de cabeceira. Colocaste a foto na mesa e ficaste a olhar para ela, e por momentos todos nós parámos presos nos nossos pensamentos enquanto nos esforçávamos por aguentar, de forma a não chorar. E de novo voltas-te a dizer: “Hoje é o meu dia de anos, não vamos ficar triste por favor”. e no mesmo momento pegas no teu copo e encostas no rosto do mano Pedro agora imortalizado numa pequena fotografia que tu tanto proteges e estimas. E nós ficamos em silêncio sem reacção, até que do nada surge uma frase que quebra o gelo e nos desperta para o momento que está acontecer.

Não! Não era de todo, um aniversário assim que eu te queria oferecer. Mas o que doi mesmo e me tira o ar não é esse vírus que paira no ar, mas sim a morte do teu irmão que nos faz uma imensa falta e do qual sentiremos saudades eternamente e onde esta dor teima em acalmar.

És puro e sou imensamente grata por te ter na minha vida e por me mostrares o verdadeiro significado da palavra amor. Fui e sou abençoada por vos ter na minha vida.

Com amor,

A tua mãe,

A mãe do meu filho tem asas.

 

 

 

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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