Luto Pedro Saudade Tristeza

O segundo Natal sem ti!

É o segundo Natal sem ti meu amor.
Infelizmente o segundo de muitos que ainda espero vir a viver.
Hoje mais tranquila na dor mas um turbilhão nas saudades que tenho tuas, levantei-me só com o objectivo que é só mais um dia.
Mais um dia sem ti aqui neste plano terrestre onde mais mães e pais como eu sofrem abafados pela saudade, pela angústia sem vos ter do nosso lado.
Hoje completa mais um mês e já conto 19 em que contemplo todas as estrelas do céu procurando por vezes a mais brilhante onde tu estarás.
O mano Francisco vive em pleno este dia e desde que cheguei a casa só se quer aninhar a mim. Ele dança, ele canta, ele diz que me ama e muito mais do que eu até.
Aquela brincadeira de sempre que fazíamos quando trocava-mos palavras de carinho.
Só nos fala nas prendas. Prendas essas que ainda nem estão embrulhadas por me faltar a coragem ou o ânimo.
O mano Davi de todas as iguarias só me pediu os meus sonhos típicos do Natal que já não fazia desde o teu último Natal, aquele em que vocês os devoraram todos sem que eu desse conta a não ser no final do dia.
Fi-los com um sentimento agridoce, em silêncio e envolta nos meus pensamentos.
No fim recebi um enorme abraço e um beijo demorado como forma de agradecimento.
No fundo penso que o mano sabe o quanto me custa fazer por vezes comidas e doces que tu tanto gostavas.
Mas eles também gostam e a vida segue não é?
“Luta pelos manos!” Pediste tu por palavras escritas numa folha de caderno e eu levo esse teu pedido muito a sério.
Eu amo-te Pedro mas doi demais a tua ausência aqui no meio de nós sempre a petiscar das iguarias que se encontravam na nossa mesa.
Hoje passados 19 meses, não posso dizer que todos os dias são maus.
Não posso porque não iria estar a ser sincera e o testemunho que quero deixar é um caminho claro no meu luto.
Hoje, passados estes 19 meses, posso dizer que são mais os dias bons do que os dias maus, porque me desligo da tua perda.
Absorvo unicamente as memórias em que fomos felizes e meto em pausa o horrível dia da notícia. Aquela que te privou de mim. De nós.
Um segundo Natal ou mais um dia normal, que seja o que lhe quiserem chamar.
Para mim é somente o dia do calendário que me relembra todos os meses do ano que tu partiste e o resto… Bem…
O resto vou vivendo, sem medo do futuro. Sem pensar em demasia porque é precisamente isso que tira o sossego da nossa alma.
Estarás sempre do meu lado, sempre batendo dentro do meu coração, sempre sorrindo, sempre brincando, e crescendo em toda a minha caminhada, porque um amor verdadeiro só tende a crescer e a intensificar-se.
É tudo isto e muito mais que define mais um dia 24 que por acaso é só a véspera do Natal.

De mim para ti.

Sempre!

Um amor que não tem fim.

Com saudade,
A tua mãe.
A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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