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O que mudou em mim com a perda do meu filho.

O que mudou em mim com a perda do meu filho.

Mudou tudo na verdade.
A minha força,
A minha esperança,
A minha alegria,
A minha vontade,
A minha ambição,
A minha ligação com os outros,
O meu papel de mãe,                                    O meu papel de esposa,                                O meu papel de mulher numa sociedade que não está nem aí para quem sofre de verdade.
A minha necessidade em ser feliz,
A minha necessidade de ter controle sobre tudo.
O meu controle sobre os meus filhos,
O meu controle em não permitir ou pelo menos tentar que nada de mal lhes aconteça.
A minha relação com os meus filhos,
A minha relação com a natureza,
A minha relação com o agradecimento,
A minha relação com o amor,
A minha relação com a vida,
A minha relação com a saúde,                    A minha relação com os bens materiais,
A minha relação com o trabalho,
A minha relação comigo mesma,
A minha relação com os problemas,
A minha relação com a morte.
Sim…
As pessoas andam tão atarefadas nas suas vidas que não têm a sensibilidade para olhar para os que passam por eles na rua, e na vida.
Mas não as condeno, nem este texto serve de crítica a nenhuma delas.
Serve somente como uma lição para a vida.
Uma lição que todas as pessoas que passam pela perda de um filho, de um irmão,  de um pai de verdade sentem, e com a qual têm que aprender a viver até que chegue a vez deles e a minha.
Com tudo o que vos escrevo neste texto serve unicamente para vos dizer que a perda do meu filho Pedro foi até hoje a lição mais dura da minha vida,  mas a única que me fez apreciar tudo o que me rodeia com o devido valor.
Foi a única que me fez sentir na plenitude o que eu até aqui só pensava em relação aos meus filhos.
Que eles são os seres mais intensos e maravilhosos na minha vida e pelo quais seriam os únicos que valeriam o meu esforço em lutar.
A morte do meu Pedro fez-me encarar a dura realidade de que todos precisamos uns dos outros e que nunca é demais o que tu podes dar.
Mesmo perante a perda de um filho.
Mesmo perante a perda de metade da tua alma, do teu coração.
Do teu propósito de vida.
A morte do meu filho Pedro fez-me chegar à conclusão de que tenho muito medo de morrer. Medo do desconhecido.  Medo de perder todos os que amo. Medo de não saber se poderei voltar. Medo de me esquecer de quem fui e o que signifiquei na vida dos que me amam, e com os quais me cruzei no caminho.
Medo de não ter vivido tudo o que seria de esperar.
Medo de não ter realmente existido.
A morte do meu filho,  faz-me lutar, não permitindo que deixe para trás ninguém que me queira acompanhar.
A morte do meu filho, fez-me acordar para uma realidade que jamais em tempo algum esperei vir a passar. Empurrou-me para um abismo de dor, mas foi o amor que me salvou.  Fez-me ver de verdade o que é a vida, o que ela simboliza em cada um de nós, que existem escolhas que por mais difíceis que sejam, elas têm que ser tomadas para a possibilidade da nossa existência. Por mais difícil que seja, eu cheguei à conclusão que ninguém tem o poder realmente na mão sobre o que quer, o que deseja, o que sonha. E é aqui, precisamente aqui que eu acordo de um sonho onde sempre acreditei que teria os meus filhos para sempre, que seria eu a partir,  que seria eu a deixa-los.
É aqui o quanto eu sou confrontada com a mais pura realidade de que aquela frase que tanto proferimos na banalidade…
“Vive a vida” ou “Carpen Diem” tem na verdade um peso absolutamente inimaginável.
É aqui precisamente aqui, que eu aprendi que o viver a vida não é fazer tudo o que se gosta nem quando se quer. Não são as noitadas, as saídas,  os passeios, os bens materiais que possas ganhar ou aqueles que possas construir.
Viver a vida na verdade significa, viverem-se uns aos outros onde as vossas partilhas façam parte da vossa história e da verdadeira razão em se ter vivido.

Pensem nisso!

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas.

Foto de Pedro Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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1 Comment

  1. Uva Ishimaru says:

    Eu te perdi mais um dia vou te encontrar 20 anos ao seu lado
    Fui tão feliz Douglas meu filho meu companheiro meu amigo meu tudo
    Vou estar sempre te esperando
    Meu coração 💔 dói a cada instante
    Viver sem vc e difícil de mais eu sua irmã Islla sofremos tanto q não tem tamanho da dor vou te amar eternamente meu filho amado
    Que serão Anjo da guarda de Islla
    Nenhum dia de minha vida vou te esquecer te amo meu amor 😍

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