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O papel cruel da Mãe

É muito fácil julgar quem nunca sentiu na pele a derrota de um filho. Não falo de um insucesso escolar, nem de um torneio que correu mal.

Falo de tudo no geral, mas acima de tudo sobre a morte.

Há as mães que se intitulam de “Mães perfeitas” mas isso não passa de um mito!

Não existem mães perfeitas! Não existe o ser humano perfeito! 

Existe sim Mães lutadoras! Mães que fazem tudo pelos seus filhos, até doar órgãos se necessário, ou dar a própria vida!

Sim! A própria vida! Mães que arriscam com tudo só para o seu bebé nascer, mesmo que saibam que não vão conseguir acompanhar o seu crescimento, aqui no plano terrestre.

Somos todas mães imperfeitas! Por mais tentativas que façamos para parecermos mães modelos, a verdade é que em certa altura de nossas vidas, errámos.

Ser mãe é mesmo um caminho longo a percorrer e cheio de rasteiras, nem sempre iremos estar capazes de acompanhar os nossos filhos nos seus medos e agonias. Ou são eles que não nos permitem, ou somos nós que não os entendemos. Irão sempre surgir dúvidas!

Existem muitas mães que a única coisa que sabem fazer é julgar a acção de outra mãe, mas esquecem-se que todos temos telhados de vidro, e muitas das vezes estas mães em concreto estão tão envolvidas com o seu próprio umbigo que pensam que o mal da depressão, do suicídio, da droga, do alcoolismo, da prostituição entre outras coisas, nunca as irá atingir. Se assim for…Repense! Todos estes problemas que enumerei não dependem só das suas indicações, ou da educação que dá ao seu filho. Depende essencialmente dele, da sua mente, e dos amigos com quem se relaciona.

Sempre acreditei que ser mãe era o melhor que me poderia ter acontecido enquanto pessoa e continuo com esse pensamento! Mas permitam-me dizer que é difícil para “catano”.

Pode-se mesmo dizer que é um dos papeis no seio familiar e em toda a sociedade mais difícil de desempenhar. Claro que existem pais e pais, não o ponho aqui em questão. Mas neste momento falo só para as mães. À mulher que sofre! que chora de agonia em nada deixar faltar aos seus filhos. À mulher que “move montanhas” para tudo fazer para que o seu filho ou filha seja ou se torne no ser mais feliz ao cimo da terra.

Todo o ser humano intitula a mãe como a super herói! Mas esquece-se que ela também é de carne e osso e que também tem sentimentos, que também tem momentos de frustração, que também se cansa das mesmas rotinas, das mesmas respostas, de ser sempre ela a resolver a maior parte dos problemas que engloba os seus filhos e assuntos de casa.

E atenção! Nem estou a enumerar a mãe que é solteira ou divorciada (que para mim é a mesma coisa).

Reparem bem! A mãe trabalha, ela cuida dos filhos quando estão doentes, leva-os à escola, ela cozinha para a família, ela limpa a casa, ela cuida da roupa, ela cuida dos animais de estimação, ela cuida das plantas da varanda ou do jardim e até das interiores, ela cuida do marido, ela tem que perceber quando algum dos seus filhos está mais triste ou o seu marido. Ela pinta a casa (pelo menos eu pinto), ela vai às reuniões escolares, ela resolve as questões sociais que envolve a sua família, ela mesmo doente tem que reagir. É ela que sangra, rasga, é cortada, tem as dores para colocar os seus filhos cá fora no mundo. É ela que ainda muitas das vezes, mesmo depois de seus filhos irem para suas casas, ainda vai limpar e levar comida aos mesmos. É ela que quase sempre em muitas das realidades ainda cuida da sogra quando esta se encontra doente, ou se é uma filha no meio de irmãos é sempre também quase sempre, a ela que lhe é colocada a responsabilidade de ficar a tomar conta da sua mãe, pai ou ambos.

Há e não esqueçamos um dado importante! Muitas das mães ainda levam porrada dos maridos e dos filhos!

As mães tem o direito de se sentirem desamparadas sim! Tem o direito de se sentirem frustradas sim! Tem o direito de se sentirem esgotadas sim!

Sempre desde pequena, ouvia a minha “Mãe tia” dizer este ditado de gira popular “Filhos criados, trabalhos redobrados”. Sinceramente, na altura não entendia a razão de ouvir isso tantas vezes. Talvez por eu enquanto jovem, pensar que a razão estaria sempre do meu lado e que eram eles que não me entendiam. Não vou estar aqui com hipocrisias, ainda hoje tenho momentos de pensar assim, mas é porque a opinião ou a verdade tem sempre dois lados. Depende sempre da pessoa que olha a questão de uma maneira diferente de nós. Não pensamos todos do mesmo jeito. E para se teimar tem que haver dois teimosos, ou então sugiro que vá ao médico porque quando você teimar sozinha…xi.

As mães também julgam! Mas fazem-no tão erradamente. Eu explico! O ser o humano já só por si, tem a mania que é melhor do que o outro, nisto ou naquilo. Assim sendo quando uma mãe sabe do que aconteceu em determinada família, ou porque alguma amiga partilha essa realidade consigo, tem por norma dar logo uma opinião. Muitas das vezes somente só para se auto intitular de super mãe perante a realidade da mãe amargurada. Não o façam! A realidade é que a mãe super herói só poderá dar o devido valor se experimentar a realidade da outra, e isso muitas das vezes não acontece, e ainda bem que não, porque então ainda teríamos uma sociedade de jovens mais negra do que a que já temos.

O Jovem é um ser único! Cada filho é único!

Quantas famílias não educam da mesma forma os seus filhos e nem sempre as coisas correm como mais desejávamos?

E são vocês que erram? Não! 

Se o vosso amor é genuíno, se a vossa entrega é plena, a única coisa que resta no final disso tudo é mesmo o facto que o nosso filho ou filha é um ser independente de nós e ele tem a capacidade de pensar só por ele. Ponto final! Que muitas das vezes opta por escolhas menos acertadas? Sim. Mas e você? Nunca errou na vida consigo mesma? com os outros? Eu errei!

Por isso deixo-lhe um conselho que também eu irei seguir. Quando for para abrir a boca, sobre como você reagiria a qualquer coisa que a sua amiga diga ou faça em relação ao seu filho, fique em silêncio primeiro. Calce os sapatos ou as sandálias dela, conforme preferir e pense. “E se este infortúnio me acontecesse a mim?” “Como eu iria saber lidar com?” “Quereria ser abordada com questões inconvenientes e parvas?”

Pense nisso!

Com carinho por todas as mães que sofrem na sociedade em que vivemos pelas mais derivadas situações.

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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