Luto Morte Pais Saudade

O nosso ser transforma-se.

Sinto-me um fantasma, procuro andar invisível nas ruas para que as pessoas nem me falem.

Não durmo uma noite inteira há mais de quatro meses, como somente o que o meu organismo me pede.

Os meus intestinos andam sempre revoltos e as forças por vezes faltam-me. Emagreço.

Os meus olhos nunca mais sorriram como antes e o meu rosto mostra bem o cansaço que trago.

Eu reajo, mas não é o suficiente e é aqui que vejo que realmente o processo de luto por um filho desgasta, corrói-nos por dentro e por mais que tentemos, nunca é o suficiente.

O nosso ser transforma-se

Sentimos-nos impotentes perante todos os sonhos que os nossos filhos tinham e falharam. E seguem-se mais 24 horas de agonia permanente.

Assim é a vida de uma mãe desfilhada. A minha, e que pode muito bem ser a vossa.

Amo-te Pedrocas e vou amar-te sempre.

 

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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