Luto Pedro Saudade Tristeza

O momento aproxima-se

O momento está prestes a surgir. O momento que eu gostaria de viver em outra realidade.

Uma realidade que me colocasse os meus três filhos todos juntos, aqui junto de mim.

Uma realidade paralela e bem diferente do que esta que vivo actualmente.

Em todo o mundo existem mães e pais chorando a morte de seus filhos e desejando tê-los ali juntos deles, vivendo todos os momentos felizes que comporta o Natal em família.

Mas já não é possível, pelo menos não para mim e para outras mães que conheço suas histórias porque as partilham comigo.

Estamos a dois dias de celebrarmos a véspera do Natal e a única coisa que me assola a mente é que no dia 24 de Dezembro faz precisamente 7 meses que o meu filho partiu.

Como posso eu viver com alegria um dia assim?

Relembrar com saudade todas as fotografias que te tirei no teu primeiro Natal, relembrar que assinalei os teus sete meses de nascido a 25 de Dezembro de 2000 e hoje são só memórias.

Hoje resta-me viver somente o 1º natal sem ti a 25 de Dezembro de 2019, onde choro a tua morte há 7 meses.

Que dor Pedro!

Que dor!

Hoje não estou em mim!

Hoje estou envolta pela dor que sinto por não te ter mais aqui.

Tenho tantas saudades tuas.

Prometo que amanhã irei reagir, mas hoje não.

Hoje preciso de chorar, preciso de me sentir triste, preciso de sentir a tua falta. Preciso de sentir a tua morte.

Ainda não comprei prendas, nem nada do que tenha a ver com a Ceia de Natal.

Não tenho vontade.

Por mim conforme já o referi antes, ficaria sozinha, sossegada num canto, comeria uma sopa e iria para a cama a seguir.

Mas não posso!

Nem esse direito me é permitido.

Porque as pessoas não entendem! As pessoas pensam que os pais defilhados tem que estar sempre bem, ou acompanhados.

Mas todas estas mães de maneira geral pensam como eu.

Precisam de tempo para elas.

Precisam de tempo para estar com as memórias de seus filhos.

Precisam de tempo para sangrar de modo a conseguirem levantar para mais um dia que lhes surge pela frente.

Com uma enorme saudade,

Amo-te filhote!

A mãe do meu filho tem asas.

Foto de Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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