Luto Morte Saudade

O meu coração nunca mais voltou a ser o mesmo!

Podem tentar imaginar, mas não conseguem.

Podem tentar amenizar a dor de uma mãe ou de um pai pela morte de um filho, mas não conseguem. É uma batalha perdida sem hipótese de sucesso.

A morte tem muitos rostos gravados em nossos corações, nas nossas memórias, no percurso de nossas vidas. Umas que custam muito mais do que outras.

Todas as pessoas querem subir na vida
e querem saber tudo sobre mim e acerca de ti,
vivemos tentando entender tudo, mas esse tudo não chega, nunca é o suficiente, porque nem nós mesmos somos capaz de nos entender.

É difícil! Somos seres humanos com uma capacidade de encaixe extremo, mas tem momentos em nossas vidas que não entendemos os outros nem mesmo o que nos assola a alma, que nos leva muitas das vezes a actos de loucura. Actos, que por vezes não têm mais retornam.

A mente bloqueia, o corpo paralisa para a vida e deixamos-nos ir. Isto é o que eu encontro em cada testemunho que chega até mim devido a um suicídio, devido a uma morte por doença, devido a uma depressão.

A morte é assim! A tua morte não tem mais retorno. Já os teus problemas podem ser resolvidos com calma e lutando.

Não nos encaixamos bem na sociedade porque somos apenas nós mesmos, raramente olhamos para o nosso lado e vimos o outro como um ser frágil. O sorriso engana, a brincadeira engana, a imagem distorce o que vai na tua alma, na minha alma.

Eu aceito a ajuda e partilho a ajuda porque não sofro sozinha nesta longa caminhada que a morte me impôs na minha vida.

Sinto a falta do meu filho a cada segundo que respiro, mas imponho-me a reagir de forma permanente, mesmo que por vezes me apeteça explodir no abraço de alguém que me vê com um olhar diferente.

Há uma vida que eu deixei para trás, uma vida em que eu não conhecia o verdadeiro grau de nenhuma dor. Uma vida em que eu acreditava no para sempre. Quando várias pessoas me diziam que o para sempre não existe, eu ignorava, recusava esse sentimento, porque acreditava que iria ter para sempre os meus filhos perto de mim e somente quando eu fosse velhinha, haveria um fim onde eles permaneceriam.

Mas o meu presente é actualmente muito diferente, onde o meu coração vive um Dezembro intenso, onde o inverno veio para ficar.

Quando alguém diz o teu nome, eu fico imaginando como estarias agora passados estes 8 meses, mais alto, com a voz mais forte, mais pleno de si mesmo. Mas tudo não passa de uma imaginação, e somente por isso só me resta relembrar o que foste e o que fizeste na tua curta vida, filhote.

Vou-te ouvindo, vou ligando para o teu telemóvel desligado, somente para ouvir a ternura da tua voz, só para ouvir o sorriso do outro lado, onde busco conforto muitas das vezes.

Tem dias que consigo, outros nem por isso.

Felicito as pessoas que tenho na minha vida. Felicito-me por te ter tido na minha vida, desejando todos os dias que tivesses aqui comigo, mas não estás. Felicito quem te recorda e me transporta numa viagem sem fim pelas memórias que têm tuas meu amor. Felicito todas as lembranças porque elas me trazem de volta tudo o que tu eras e foste na minha vida.

Nunca antes me tinha sentido tão perdida, Nunca antes tinha sentido tanta raiva, tanto medo, tanta dor e tu foste o primeiro que me causou tudo isso.

Todos estes sentimentos são demasiado poderosos, mas tenho vindo a controla-los com calma, levando um pouco de esperança à minha alma, de que por ti irei continuar a lutar.

O meu coração nunca mais voltou a ser o mesmo!

Ele se transformou numa brasa que arde a todo o momento alimentado pela dor e ao mesmo tempo pelo amor que sinto por ti.

É por isso que é importante partilharem os vossos medos, não se deixarem consumir por eles, não deixarem que vos consuma a alma. Partilhem a vossa dor, os vossos medos, a vossa raiva. Estou certa que alguém no mundo vos ouvirá, estou certa que eu mesma estarei aqui para vos ouvir.

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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1 Comment

  1. Patrícia Ramos says:

    Não existem palavras, nem existem ações próprias…existe um vazio inexplicável em que tentamos que apenas a nossa presença vos dê um pouco de calor…um pouco de conforto…

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