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O apoio familiar é muito importante

Tem sido difícil o meu percurso até aqui, mas tenho superado todas as dificuldades que me foram surgindo ao longo da vida. Sempre com o apoio certo das pessoas que amo e me protegem.

Sim!

Tem momentos que não sei quem protege quem. A dor é visível no rosto de cada um de nós cá em casa e no entanto ninguém desampara ninguém. Fazemos todos o possível para continuar a sorrir e seguir em frente.

Os meus filhos podem estar tristes mas procuram-me e abraçam-me, ou vêem-me mais em baixo e perguntam-me logo se estou bem e mimam-me com palavras e beijos.

O abraço nunca falta cá em casa, mesmo com toda esta história do Covid-19 que paira no ar.

O meu marido por exemplo, tenta manter-se forte para todos cá em casa, contudo têm momentos que ele cai. Ele também chora, ele também pede socorro através de um suspiro, de uma palavra, de um abraço ou de uma lembrança. Não são tantas as vezes como eu gostaria em que eu posso chorar agarrada a ele, em que a dor toma conta de todos os meus movimentos e me paralisa. Choro com um desespero doloroso onde procuro respirar e custa-me tanto. Aqui, ele agarra-se com força e fica em silêncio tentando manter o equilíbrio para ele conseguir ficar estável à minha imagem.

Estes são momentos vividos na presença de uma saudade sem fim, Muitos suspiros, muitas lágrimas, muitos momentos isolados e no meu caso e dos meus filhos, muitos momentos a cantar onde concentramos as mensagens que a canção contém na imagem que temos do nosso Pedro. No fundo é como se estivéssemos a falar para ele. Sabe tão bem!

Já alguma de vós experimentou?

A mim ajuda-me em algumas das vezes a ficar mais leve.

Todos precisamos do nosso tempo, do nosso local preferido para relaxar, do nosso espaço onde depositamos todas as memórias, todas as mágoas. Eu uso muitos destes espaços, uso muitos locais, uso os meus cadernos de testemunhos onde me liberto durante o momento da escrita,

Aqui sou só eu e o Pedro.

Aqui nestas linhas raramente entra mais alguém.

Os meus amigos questionam-me por diversas vezes se resulta!?

Resulta sim!

Pelo menos para mim. Gostaria de vos dizer que é a solução para nos tirar a dor do peito, mas não posso. O que posso é dizer-vos por experiência própria, que ajuda imenso. Libertas a pressão que te impede de respirar. Permite-te pensar racionalmente. Mesmo com o sangue quente  e fervilhante nas tuas veias em que só te apetece desaparecer ou fazer ruir o mundo. Escrever vai ajudar-te.

Experimenta! Não custa nada, e no final terás desabafado com a melhor pessoa do mundo e a mais importante nesta história de vida onde a personagem principal, és tu.

Com amor e esperança,

A mãe do meu filho tem asas

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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