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Não tenho sonhado contigo

Não tenho sonhado contigo, nem me tens dado mais sinais, diria que o ultimo que recebi foi mesmo a pena branca há duas semanas atrás. Contudo ontem antes de me deitar pedi-te que me visitasses e o sonho que eu tive foi somente com inúmeras libelinhas de roda de mim, nos pés, nas mãos nas pernas, na cara. Eram libelinhas de várias cores por todo o lado.

Libelinha um símbolo espiritual que me trouxe uma mensagem.

Vou seguir as tuas orientações e lutar pelo que eu ambiciono, mas quero mais.

Quero poder ver-te e falar contigo filhote, mesmo que seja em sonhos.

A Cátia tinha razão, havia qualquer coisa de diferente em mim. Eu sentia-me diferente.

Apática, silenciosa, com o pensamento preso no infinito. Um infinito envolto por um passado tão presente na minha vida. Contudo teimava em reagir, mas na verdade a minha vontade era a de estar sossegada num canto com os olhos fechados e sem nada falar.

Não é que eu não tente reagir, mas tem dias que as forças também me faltam.

Hoje a Cláudia telefonou-me de Londres meu amor, a mãe do Nicholas que também desistiu de viver há cerca de dois anos. Liguei-lhe de volta porque sei que esta mãe, têm uma grande necessidade de falar e de desabafar. Ela falou, eu falei, ela chorou e eu chorei, ambas envoltas pelo mesmo tipo de dor que é a de saudades de um filho que deixou para trás tantos sonhos em busca de uma paz. Uma paz que desconhecemos ao certo se a encontraram.

Penso que nunca saberemos para ser sincera, porque uma vez que nos tornemos luz, a nossa vontade irá ser somente de vos abraçar sem questões nem porquês. Isto se for mesmo real, que nos reencontramos todos no céu um dia.

Todos os dias tenho sido abordada por alguma mãe que me toca, me dá carinho à sua maneira, que se emociona quando me encontra, que me dirige as palavras de que me acompanha na minha escrita. Mulheres com uma capacidade de amar o próximo, sem que esse próximo seja de sua família ou amigos.

Agradeço, agradeço sim, de coração toda a empatia que chega até mim em modo de um sorriso, de um abraço, de um beijo, de uma palavra, porque a verdade é que nunca saberemos se um dia estaremos no lugar do outro ou se nos voltará a repetir tal desgraça.

Estou e estarei para toda e qualquer mãe que de me mim precisar, porque eu agora sei o que uma mãe passa e sente perante a morte de um filho.

Todas temos algo em comum.

Ninguém pediu para passar por este momento!

Ninguém desejou a morte de seu filho!

Todos nós sempre pedimos à força maior, à qual eu chamo de Deus, para nunca ter que passar por algo tão doloroso assim.

Mas acabamos por todas termos algo em comum.

Todas nos tornamos em mães defilhadas sem o desejarmos.

As histórias, os momentos, as realidades, podem ser todas diferentes, mas a dor…

Essa não tem como ser diferente.

A morte coloca um fim na vida, mas jamais o fim num amor puro como o de uma mãe por um filho e o de um filho por uma mãe.

Memoriza a vida por todos os sorrisos que alcançaste, por todas as gargalhadas que deste, e nunca pelas lágrimas que choraste.

Relembrar os momentos em que te vi ali deitado já sem vida, e ainda de corpo quente metem-me no fundo, bem no fundo de um buraco que me custa de lá sair. E é por isso filhote, que a mãe prefere lembrar-se de ti sempre a sorrir, sempre a brincar, sempre a andar comigo pelas ruas, sempre a dar-me aquele beijo quando em casa me encontravas sentada no sofá e te curvavas para me beijar. Todas aquelas vezes que me abraçaste e me disseste que me amavas. Viver do teu amor! Viver por ti e arrebatar-te em mim com esta sede de viver, é assim que eu quero viver todos os meus dias até eu morrer.

Tenho tantas saudades tuas meu amor. Tantas mas tantas que me chega a ser possível respirar.

Amo-te Pedrocas do meu coração.

Com uma eterna saudade, e um amor que jamais terminará de crescer.

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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