Luto, Morte, Pedro, Saudade, Suicídio, Tristeza

Não me atrevo a sonhar mais.

Quero, poder voltar a sonhar!

Sonhar de verdade onde colocas as tuas prioridades à frente de tudo.

Quero sonhar acordada como fazia antes de conhecer a morte cara a cara.

Antes, muito antes de ser empurrada para a dura realidade de que não sonharei mais acordada como todos os restantes que me rodeiam.

Atrevo-me a dizer que não sonharei mais na vida!

Não! Não estou a ser rígida demais.

A realidade é que eu sempre fui uma sonhadora e tudo o que alcancei até hoje perante os meus 42 anos foi por ser sonhadora. Por acreditar que uma vida sem sonhos é muito triste. Por acreditar que a vida é amor, e que é o amor que move tudo o que nos rodeia.

Mas hoje, esta é a minha realidade, passei a viver de mãos dadas com a tristeza, apesar de sorrir todos os dias, e sou confrontada com a triste perspectiva de que o amor nem sempre nos presenteia com uma vida feliz.

Pergunto-me. Para que servem os nossos sonhos?

Sonhar com os nossos filhos a crescerem, a conquistarem os seus objectivos e os seus triunfos.

Sonhar que os veremos criarem suas próprias famílias.

Sonhar que irão para sempre precisar de nós enquanto estivermos cá para eles.

Sonhar que todos eles, hoje enquanto jovens e amanhã serão mulheres e homens.

Tudo mentira!

Na realidade são eles os detentores de toda a realidade, de toda a verdade que destroem os nossos sonhos e nossos desejos.

São eles que decidem se querem tornar-se homens e mulheres.

A chave encontra-se nas mãos deles. Sempre!

Confesso que não pensava assim, até a minha vida ter mudado completamente por imposição da vontade do meu filho mais velho.

É por isso que tudo dói!

Sonhar dói!

Ter desejos dói!

Criar expectativas de futuro dói!

Amar dói!

Viver a morte de um filho, mata!

Não me atrevo a sonhar mais.

Vivo cada dia numa perspectiva aberta a desejos e vontades dos meus filhos e das pessoas que me rodeiam, porque a realidade é que são eles quem decidem o rumo que querem levar, e nós vamos ao sabor da maré envoltos nas suas vontades.

Esta é a realidade quando temos em casa um filho ou uma filha que deseja morrer e não nos diz nada.

Tenho medo! E acreditem que costumava dizer que não tinha medo de nada, a não ser que me morresse um filho.

Ironia do destino.

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas

Foto de Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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