Depressão, Morte, Sociedade, Suicídio, Tristeza

Não desistas!

Foto retirada do Google

Ela pensou que vivia sozinha no mundo,

Ela pensou que não havia ninguém que se preocupasse com ela,

Ela comia todos os dias sozinha naquela mesa de canto,

Ela sentia todos os dias aqueles olhares de reprovação,

Ela pensava que eram das roupas, 

Ela pensava que eram dos sapatos,

Ela pensava que eram dos seus cabelos rebeldes negros como a noite,

Ela não olhava para ninguém, 

Ela andava de olhos pregados no chão e a única coisa que via eram as pedras na calçada.

Faltava-lhe segurança, faltava-lhe confiança, faltava-lhe esperança.

Até ao dia em que ela desistiu.

O grito da alma foi tão agonizante que o chão estremeceu naquele dia,

Todos naquele espaço sentiram o tremor mas ninguém deu conta de onde vinha.

Passaram-se dias até que alguém deu por falta da Maria, mas já era tarde demais para ela.

Mas não é para ti!

Deixa-te de conversas sem sentido e procura motivos para sorrir.

Contorna por agora os obstáculos, não precisas de transpor todos eles de uma só vez.

E não penses que estás sozinha, Eu estou aqui contigo, não te abandono, não olho para  o lado.

Queres falar, falamos. 

Queres chorar, choramos.

Queres rir, rimos.

Queres dançar, dançamos.

Queres cantar, cantamos.

Mas não me abandones! Não desistas de mim que eu não desistirei de ti.

 

(…) Este foi um texto que escrevi no dia 08 de Fevereiro de 2019. Um texto que partilhei numa outra pagina que ainda tenho. Muito longe estava eu de imaginar que o meu filho padecia desta maldita solidão, desta maldita doença.  Fevereiro! Precisamente o mês em que eu lhe joguei a mão e pedi-lhe para me abrir o seu coração. Fevereiro! Uma conversa intensa em que ele me diz que não me pode contar mais nada porque não quer que eu sofra.No mínimo irónico! Para não dizer, totalmente absurdo! Os vossos pais, as vossas famílias estão lá para isso…ou pelo menos deveriam estar. A mim foi-me negado esse privilégio! De poder salvar o meu filho Pedro!(…)

“Não permitam que o mesmo aconteça com os vossos por favor!”

Com carinho, 

a mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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