Luto, Suicídio

Não desistas

«Ela pensou que vivia sozinha no mundo,

Ela pensou que não havia ninguém que se preocupasse com ela,

Ela comia todos os dias sozinha naquela mesa de canto,

Ela sentia todos os dias aqueles olhares de reprovação,

Ela pensava que eram das roupas, 

Ela pensava que eram dos sapatos,

Ela pensava que eram dos seus cabelos rebeldes negros como a noite,

Ela não olhava para ninguem, 

Ela andava de olhos pregados no chão e a unica coisa que via eram as pedras na calçada.

Faltava-lhe segurança, faltava-lhe confiança, faltava-lhe esperança.

Até ao dia em que ela desistiu.

O grito da alma foi tão agonizante que o chão estremeceu naquele dia,

Todos naquele espaço sentiram o tremor mas ninguem deu conta de onde vinha.

Passaram-se dias até que alguem deu por falta da Maria, mas já era tarde demais para ela.

Mas não é para ti!

Deixa-te de conversas sem sentido e procura motivos para sorrir.

Contorna por agora os obstáculos, não precisas de transpor todos eles de uma só vez.

E não penses que estás sozinha, Eu estou aqui contigo, não te abandono, não olho para  o lado.

Queres falar, falamos. 

Queres chorar, choramos.

Queres rir, rimos.

Queres dançar, dançamos.

Queres cantar, cantamos.

Mas não me abandones! Não desistas de mim que eu não desistirei de ti.»

 

publicado por A Letra R às 20:54 no dia 8 de Fevereiro de 2019
Este foi um texto que escrevi no meu blogue que não é muito conhecido porque o usei sempre como uma espécie de apontamentos de uma vida que pode ser a minha e a sua.
Este texto em concreto foi em memória de alguém que partiu e que cheguei a cruzar-me na vida.
Esta mãe desistiu de tudo e achando que o seu filho já homem não iria precisar mais dela, se matou.
Escrevi este texto cerca de 2 meses e meio antes do meu filho morrer.
Para mim este texto ganhou uma proporção enorme na minha vida que vocês nem podem imaginar.
Hoje partilho-o convosco aqui na pagina do meu filho tem asas, uma página que criei em homenagem ao meu filho e de forma de viver o meu luto de um modo mais tranquilo. A minha ferramenta é escrever, e escrever é para mim a minha terapia.
Com carinho,
A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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2 Comments

  1. ROSANE says:

    SOU MÃE ENLUTADA PELO SUICIDIO MEU FILHO AMADO E LINDO DESISTIU DE VIVER COM 25 ANOS , ERA UM JOVEM SEM NENHUM VICIO …NÃO BEBIA …NÃO FUMAVA…MUITO DE BEM COM A VIDA …DE REPENTE UMA DEPRESSÃO SEVERA E FIM DE NAMORO MEU MENINO PARTIU EM 21/01/ 14 POR ENFORCAMENTO…MEU MUNDO SE ABRIU FIQUEI SEM CHÃO…SEM AR…SEM ENTENDER…VIVO NUM TURBILHÃO DE PQS E SES …SUA PAGINA ME AJUDA MUITO ….OBRIGADA POR COMPARTILHAR…GRATIDÃO.

    1. Rute Reis Figuinha says:

      Querida Rosane, em primeiro lugar lamento profundamente a sua perda. Não deveria ser possível passarmos por isto, principalmente sendo da vontade deles em partirem. O ser humano não deveria ter essa capacidade de auto-destruir. Mas têm. E resta-nos ter forças para viver dia após dia sem a presença dos mesmos, mantendo a sua memória viva em cada momento vivido por nós.
      Gostava de ter o poder de diminuir a sua dor, mas não tenho. Contudo deixa-me satisfeita em saber que contribuo para a fazer sentir melhor em toda a sua caminhada.
      Sinta a força do meu abraço e um beijo sentido em seu rosto.
      <3

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