Amor Irmãos Luto Pais

Mãe quando tu morreres!

– “Mãe quando tu morreres ainda vou ficar mais triste do que quando foi com o mano Pedro. ”
O meu filho Francisco que neste momento têm 10 anos, sofre todos os dias a pensar na perda.
Ainda ontem ao deita-lo, pensando eu, que ele estaria bem, sou chamada minutos depois com um grito suave…
“Mãe, vem cá!”
Fui prontamente, porque uma mãe sempre vai ao chamamento do seu filho.
Pediu-me para abraçar. Colocou-me a mão no peito e transmitiu-me o seu medo.
Sem saber bem o que lhe havia de dizer, proferi unicamente as palavras que o meu coração me impeliu a partilhar.
– Filhote, a mãe não vai já a lugar nenhum. Vou ficar aqui até bem velhinha. Vou-te ver crescer. Irei ver-te casar e teres igualmente os teus filhotes e quando já fores um homem forte, então irei partir.
Mas já teremos vivido o nosso amor.
– Mas mãe, eu não quero ficar sem ti.
– E não irás ficar meu querido. Estarei sempre aqui.
– Mãe, posso pedir-te uma coisa?
– Claro que sim Kiko.
– Não saias de casa sem me dar um beijinho.
– Mas Kiko a Mãe sai antes das 06h da manhã. Posso acordar-te.
– Não faz mal Mãe. Dá-me um beijinho antes de ires trabalhar.
– Ok filhote. Combinado.
A mente do meu filho nunca mais deixou de ter medo.
Medo de perder!
Medo que a morte bata novamente na sua casa.
Este sentimento de impotência que nos derruba a toda a hora, a nós que somos adultos.
Às crianças, nem me atrevo a dizer, o que lhes faz. Não estamos na mente deles. Não podemos avaliar com dignidade o sentimento de perda que os envolve.
A única coisa que podemos na verdade, é amar, proteger, enaltecer o amor e seguir de mãos dadas do seu lado todos os dias da nossa vida.
As crianças também sofrem.
E por vezes, estamos tão envolvidas na nossa própria dor, que não nos damos conta.
Ontem mesmo durante a tarde, ele partilhava comigo de sorriso rasgado, que adorava a personagem, Coringa.
O Joker!
Deixei-o falar com toda a sua energia e no fim questionei-o se sabia que personagem era de verdade.
Ele respondeu que era um homem que ria por tudo e por nada, porque estava feliz.
Corrigi-o!
Kiko deixa dizer-te quem representa essa personagem na nossa sociedade.
É uma pessoa muito infeliz.
Ele representa, a hipolariedade, esquizofrenia, depressão, ansiendade…
– Mãe! Não digas mais nada. Não quero ouvir. Já entendi quem é o Coringa.
Este é um pequeno exemplo da realidade virtualizada em que muitos dos nossos jovens e crianças vivem. Enaltecendo “herois de banda desenhada” que na realidade definem tanta dor, tanta angústia e que retrantam a alma no seu mais profundo grito de agonia.
Tenho a certeza que a visão do meu filho alterou, e depois de saber a verdade sobre a morte do seu irmão Pedro, compreende que nem sempre por detrás de um sorriso, reside a palavra Felicidade.
Aos poucos e poucos ele têm a necessidade de ir procurando a verdade acerca da sociedade em que vive.
Isto é crescer.
Mas tenho medo!
Medo que ele veja que o mundo lá fora é difícil demais, para ser compreendido.
Quanto a mim, só me resta acompanha-lo em todas as curvas e contra curvas desta vida.
Amo-te Kikuxo do meu coração.
És tão importante para mim.
Com carinho,
A tua mãe.
A mãe do meu filho tem asas.
– Rute Reis Figuinha –

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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