Amor, Luto, Morte, Pais, Pedro, Suicídio

Mãe escuta com atenção a voz do teu coração!

Mãe escuta com atenção a voz do teu coração!

Mãe, hoje escrevo para ti esta mensagem que venho tentando apresentar-te em sonhos e na tua caminhada que te abraça com a minha despedida.

Desculpa-me por te fazer sofrer tanto! Não queria de modo nenhum criar problema algum a vós que amo tanto e que acabei magoando tanto com a minha saída.

Eu não queria morrer, queria somente desaparecer, queria somente acabar com esta dor que teima em ficar. Ela não acabou! Ela perdura na minha morte, porque cada vez que vos vejo a sofrer eu sofro junto e com uma intensidade que é por vós incalculável, mas ela está cá.

Não consigo voltar atrás nesta decisão, queria ter ganho asas naquele salto e parado o tempo para que tivesse um momento de reflexão, mas sabemos que as coisas não acontecem desse jeito.

Tenho saudades das tuas festas mamã, tenho saudades das tuas comidas, dos teus miminhos, dos teus ralhetes, que nem sempre te dava razão, mas sabia que a tinhas, comentava muitas vezes isso com as minhas amigas. A tua opinião era muito importante para mim. Muitas eram as vezes que te dizia isso.

Mas fui impaciente!

Tive pressa de viver uma vida que não podia alcançar tão cedo, tinha que ter tido mais calma, mas sabes como sou mamã, sem paciência para nada. Queria tudo para ontem e ontem já era tarde. A minha urgência em ter sucesso em tudo tirou-me o tempo que eu deveria ter vivido e não consegui.

Nos últimos tempos, tudo parecia imensamente grave, grande, catastrófico, sem resolução. Aquele roubo que todos nós sofremos, deixou-me sem chão. Não consegui ver a sua solução, vi somente que todos íamos passar mal com o acontecimento, que esqueci por completo que a minha despedida de vossas vidas iria ter um impacto imensamente grave e doloroso.

Fiquei sem muitas coisas de que gostava e não dependia somente de mim voltar a tê-las de volta.

Desculpa! Desculpa pelo sofrimento que vos causei naquele dia e vos causo todos os dias e sei que irá perdurar até ao dia de vossas mortes.

Eu estava perdido! Sentia-me perdido! Julguei que a morte era a minha única solução!

Estava enganado mamã! Como eu estava enganado!

Eu não queria morrer! Não queria de verdade! Queria somente deixar de sofrer com tudo o que de ruim acontecia na minha e na nossa vida.

Sei que as minhas desculpas de nada vos servem, pensei que colocando um pedido de desculpas por palavras em folhas de papel ou numa mensagem de telemóvel, bastaria para que tudo ficasse bem. Fui tão imprudente, tão imaturo porque eu já não estou mais dentro do meu corpo para vos poder tocar, olhar nos olhos enquanto vos peço perdão.

Tento tantas vezes comunicar convosco e nem sempre me é possível.

Mãe, pai, manos, minhas pequenas jóias, amo-vos tanto e sinto tantas saudades vossas. Queria estar aí ao pé de vocês ainda nessa vida!

Queria poder dizer que vos amo sem ser através de um pensamento, de uma borboleta, de uma pena ou de um arrepio.

Queria poder levar o som da minha voz ao vosso coração acariciando o vosso rosto, sentindo o vosso calor unindo-se no meu.

Que burro que eu fui, foram umas das últimas palavras que ainda tive o discernimento de referir.

Eu não queria realmente morrer!

Hoje tenho a certeza disso! Mas hoje é demasiado tarde para voltar atrás na minha tão imprudente decisão.

As minhas desculpas de nada vos serve para aliviar a dor do vosso coração, mas deixo-vos mais uma vez um pedido de desculpas com um sentimento que jamais morrerá entre nós.

Amem-me como vos amo, e eu viverei sempre na vossa lembrança e em vossos corações até ao nosso reencontro.

Com saudade,

O meu filho tem asas.

Foto de Rute Reis Figuinha

 

 

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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