{"id":71,"date":"2026-07-19T23:31:33","date_gmt":"2026-07-19T23:31:33","guid":{"rendered":"https:\/\/omeufilhotemasas.pt\/?p=71"},"modified":"2026-07-19T23:31:33","modified_gmt":"2026-07-19T23:31:33","slug":"a-esperanca-mora-ao-lado-da-dor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/omeufilhotemasas.pt\/?p=71","title":{"rendered":"A Esperan\u00e7a Mora ao Lado da Dor"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Disseram-me muitas vezes que o tempo haveria de aliviar a dor. Nunca acreditei totalmente nisso. O tempo n\u00e3o apaga uma aus\u00eancia. N\u00e3o devolve um filho. N\u00e3o faz esquecer o som de uma gargalhada nem o brilho de um olhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tempo faz outra coisa. Ensina-nos a carregar o peso sem deixar de caminhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muito tempo pensei que, se voltasse a sorrir, estaria a trair o meu filho. Como se a tristeza fosse a \u00fanica forma de lhe provar o meu amor. Um dia percebi que era precisamente o contr\u00e1rio. O amor que sinto por ele n\u00e3o precisa da minha infelicidade para existir. Precisa apenas de continuar vivo dentro de mim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nesse dia que compreendi que a esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 o fim da dor. \u00c9 o princ\u00edpio da vida depois dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Continuo a sentir saudades. Continuo a ter dias em que o cora\u00e7\u00e3o pesa mais do que o corpo. Continuo a imaginar conversas que nunca teremos e abra\u00e7os que ficaram por dar. Nada disso desapareceu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas tamb\u00e9m continuo a acreditar que o amor n\u00e3o morreu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando ajudo algu\u00e9m que sofre, o meu filho est\u00e1 presente. Quando abra\u00e7o quem precisa de um abra\u00e7o, ele est\u00e1 presente. Quando escrevo para que outra m\u00e3e ou outro pai sintam que n\u00e3o est\u00e3o sozinhos, ele est\u00e1 presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez seja esse o verdadeiro milagre da esperan\u00e7a: perceber que quem amamos continua a transformar o mundo atrav\u00e9s de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o escolhi esta dor. Nunca a escolheria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas posso escolher aquilo que fa\u00e7o com ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a dor me tornou mais humano, mais atento ao sofrimento dos outros, mais dispon\u00edvel para amar sem condi\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o o meu filho continua a ensinar-me todos os dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A esperan\u00e7a n\u00e3o venceu a dor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aprendeu apenas a caminhar ao lado dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, curiosamente, \u00e9 essa caminhada que hoje me mant\u00e9m de p\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\ud83d\udc99<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rute Reis Figuinha&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disseram-me muitas vezes que o tempo haveria de aliviar a dor. Nunca acreditei totalmente nisso. O tempo n\u00e3o apaga uma aus\u00eancia. N\u00e3o devolve um filho. 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