Luto Pedro Saudade Tristeza

Hoje não vestiste a tua camisola.

Hoje não me sinto em paz. Sinto uma tristeza que assola o meu peito e não deixa a minha mente ficar tranquila.
Por todo o lado festejam o facto do Sporting ter sido campeão.
E em tudo o que eu olho vejo a ausência do meu Pedro nesta celebração.
Como ele iria ficar radiante. Como ele iria ficar estonteante de tanta felicidade que ira transmitir.
Iria gritar aos sete ventos que estava feliz. Porque o seu clube do coração conseguiria alcançar o campeonato com êxito. Iria vestir a sua camisola, levaria para a escola, poria o seu caschecol ao pescoço e entraria nos portões a gritar bem alto o nome do seu clube de campeão. “Sporting!”
Mas nada disto aconteceu.
Cheguei em tempos a ouvir da boca de amigos que eu deveria ter mais filhos. Talvez todos os anos. Esta observação tem uma história por trás. É que quando o meu filho Pedro nasceu, o Sporting havia sido campeão, em 2000. Dois anos depois quando eu iria ter o meu David, o Sporting voltaria a ser campeão, em 2002. Somente com o nascimento do meu Francisco a tradição se quebraria.
Lembro-me de arranjarmos cachecóis dos respectivos anos, como forma de celebração.
O meu Pedro vivia o seu clube com paixão. Vivia-o com emoção. Ele discutia os seus pontos de vista. Ele chorava. Ele gritava de alegria. Ele revoltava-se com tudo e com todos se alguma falta era cometida injustamente.
Ele vivia o verde e no entanto uma cor que simboliza a esperança, faltou-lhe no final da sua vida. Ele perdeu a esperança. E quando um ser perde a esperança, perde a vontade de viver.
Assim foi com ele.
Lamento tanto, mas tanto a sua decisão.
No ano em que ele partiu, já tinha tudo combinado com a sua madrinha de modo a irem até ao Terreiro do Paço para comemorar a vitória de uma taça. Não o chegou a fazer. Ele já não estava mais entre nós. Dedicámos-lhe o momento e foi só isso. Um momento. Como tantos outros que ele poderia ter desfrutado.
Ontem mesmo, dizia ao meu marido, que se o nosso filho estivesse presente, eu iria estar com o coração nas mãos. Não teria conseguido evitar que ele fosse festejar, e muito menos que tivesse ido ver o jogo no próprio estádio. Hoje digo que não disponho mais de um coração. Mil vezes, tivesse o meu coração nas mãos, do que ter a ausência dele na minha vida.
Não era assim que deveria ser Pedro. Tu aí e eu aqui.
O meu marido vestiu a camisola e comemorou a vitória com o nosso Pedro na sua memória. Só ouvia o seu lamento…
“Ai filho…”
Dizendo que teria ido contigo festejar em modo de festa, mas hoje, não o podia fazer mais.
Hoje não estou bem!
Não me sinto feliz, e trago um peso no meu coração. Sinto mesmo dificuldade em respirar. Em me concentrar. Os festejos que se vê pelo país, fazem-me confusão. Queria conseguir isolar-me do mundo. Queria conseguir isolar-me de mim mesma. Sem nada sentir, sem nada pensar.
A vida é mesmo tudo isto. Onde uns festejam e outros choram a separação.

Com carinho,

a mãe do meu filho tem asas
– Rute Reis Figuinha –

 

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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