Amor Pais

Gestos que nos tocam a alma

Existem momentos na nossa vida que devemos agradecer sem mais demora. Eu não tinha dúvidas antes, porque tenho sido realmente agraciada na vida por pessoas maravilhosas. Pessoas com uma sensibilidade incrível que nem em dez vidas, conseguiríamos agradecer tal gesto com o qual fomos agraciados.

Já não é novidade nenhuma para vós que tenho vivido dias de amargura e profunda tristeza desde que o meu Pedro partiu. Quem me conhece de longa data sabe e certamente se lembra que fui sempre uma pessoa com uma alegria extrema. Sempre tive imensa vontade de rir e exteriorizar esse riso. Atrevo-me mesmo a dizer que sempre fui uma pessoa de bem com a vida, porque amo viver. Hoje confesso que já não penso tanto assim.

Sempre tive uma palavra de incentivo para qualquer amigo e incentivarei sempre, porque incentivar é amar e eu amo verdadeiramente os meus reais amigos.

Durante a semana chegou-me um convite, confesso que ando meia perdida nos dias que não me recordo propriamente em que dia da semana foi. Como sabem a sexta-feira é um dia que para mim deixou de existir. Por isso teria de ir ler e não é importante para o que aqui vos quero dizer.

A Yara entrou devagarinho no meu coração e apelou ao mesmo, quando num delicado convite, me sugeriu algo diferente. Algo que nunca havia feito.

Yoga do Riso em família

Falou-me que acompanhava de longe o meu sofrimento e que não conseguia ficar indiferente, e se eu permitisse, gostaria muito de nos trazer algum conforto.

Aceitei o desafio! E lá fomos nós. (Kiko e eu). A viagem foi uma aventura pegada, porque o GPS enganava-me. O Kiko tem uma opinião ligeiramente diferente da minha, diz que foi a mãe que se enganou quatro ou cinco vezes. Como as crianças falam sempre a voz da verdade, vamos aceitar antes esta versão.

Chegámos ao OM SPACE e fomos recebidos com imenso calor humano. Antes já me havia dirigido a uma senhora que eu pensava ser a Yara. Vestia uma t-shirt fazendo menção à Yoga e eu dirigi-me a ela. E assim conheci a Tina.

Levei o Kiko a beber um sumo e esperámos um pouquinho. Dali, a momentos conhecemos o Professor de Yoga Márcio.

Foram chegando mães e filhos, curiosamente o único pai era mesmo o Professor de Yoga Márcio. Pai de um menino de quatro anos.

A forma como o Professor de Yoga nos abraçava com as suas palavras era mesmo energizante.

Que energia Professor Márcio! Escusado será dizer que todas as suas palavras me tocaram profundamente na alma, desarmando-me por completo. Senti mesmo a minha capa a cair no decorrer da sessão. Tive mesmo a necessidade de me ausentar por uns momentos. Não queria de modo nenhum perturbar a sessão e nem carregar nenhuma mãe com o sentimento de impotência ou de dor perante a minha realidade. O que é certo, é que as palavras de felicidade me feriam como lanças bem aguçadas direitas ao meu coração. Cada frase lembrava-me da pessoa que em outros tempos eu era, e que não a consigo alcançar mais. E isso deixa-me verdadeiramente triste, não que eu não queira sorrir de novo com a mesma vontade que eu tinha, mas somente porque não consigo. Parece-me mesmo um riso oco.

Nunca se faz o luto de um filho, é uma ferida que nunca irá fechar.

Conforme já referi, ausentei-me por uns momentos até me recompor. A Tina veio ter comigo, na esperança de me poder ajudar. Mas não podia. Quando me perguntou se eu estava bem. Disse-lhe com todas as letras que não. Quando questionou se podia fazer algo por mim, a minha resposta foi mais forte do que eu. “Não, não é possível. Trazer-me o meu filho de volta ninguém consegue, por isso não”. Sinceramente não sei o que a Tina pensou naquele momento, mas julgo que a deixei sem reacção. Era totalmente desconhecedora da minha realidade e só pretendia ajudar.

Recompus-me e voltei à sessão. Estavam todos cheios de energia e o melhor de tudo é que o meu Kiko estava a rir e a pular. Foi o que me bastou. Vê-lo assim por momentos dá-me energia positiva para avançar. Foram realizados vários exercícios e devo-vos confessar que aconselho mesmo de coração cheio a Yoga do Riso. Não há vergonha na sala, nem complexos de nada. Ali podemos rir à vontade e sermos nós mesmos.

Chega a ser mágico.

No momento do exercício dás contigo a pensar, meu Deus que faço eu aqui? Não consigo avançar no exercício, mas depois, ao ouvires os risos das outras mães e filhos e do teu próprio filhote bem como o do professor, és contagiado por aquela energia vibrante.

Já bem quase no final foi uma altura marcante. Chegámos à parte da meditação, limpeza e energização, onde tu te fundes com a terra. Penso estar a dizer os termos certos, porque o que é certo, é que aproveitei bem esta limpeza. Não consegui não voltar a chorar. O meu corpo precisava mesmo de libertar. O Kiko partilhou comigo que também ele adorou a parte em que a Tina falou. Disse que se havia sentido em paz. Que foi muito bom. Pediu-me por tudo para voltar e não escondeu essa vontade perante todos.

Bem no final da Tina falar, deixa-nos uma frase para que nos lembremos sempre que as mães são magníficas em todo o seu esplendor aos olhos de seus filhos, e sou invadida por uma energia tão intensa que me faz estremecer todo o meu corpo quando a Tina sem eu esperar, me coloca a mão no lado esquerdo do meu rosto. Eu havia acabado de interiorizar as palavras que a Tina no final mesmo da meditação havia dito e sou invadida por este gesto de amor.

Se me perguntarem se quero voltar? Sim! Sem qualquer dúvida!

Se me perguntarem, se recomendo o espaço OM SPACE? Absolutamente!

Se me perguntarem, se gostaste da equipa que nos abraçou neste dia? Com todo o nosso (do Kiko e meu) coração.

Se me perguntarem se aconselho a Yoga do Riso em família? Sim! Sim! Sim!

Querem que vos diga como ficou o meu filhote Kiko comigo? Dou por ele a olhar por diversas vezes para mim e sem hesitar, diz-me em todas elas “Mãe tu és tão linda.” E enquanto me pára arrebata-me um beijo e diz que me ama.

Gratidão é só o que o meu coração consegue transmitir neste momento.

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas.

Foto de Yara

 

 

 

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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